Vinicius Lummertz, ex-ministro do Turismo e ex-presidente da Embratur (Yuri Ricci/M&E)

SÃO PAULO – A abertura do Seminário LIDE Turismo, realizada na manhã desta quarta-feira (10), na Casa LIDE, em São Paulo, foi marcada por um amplo diagnóstico sobre os desafios e oportunidades do turismo brasileiro. Diante de uma plateia formada por líderes empresariais e por um palco dividido com CEOs das três maiores companhias aéreas do país, o ex-ministro do Turismo Vinicius Lummertz defendeu a criação de uma “União Nacional do Turismo” para articular uma estratégia integrada de desenvolvimento do setor.

Ao iniciar sua apresentação, Lummertz destacou a força econômica do turismo no cenário global e afirmou que o segmento caminha para movimentar cerca de US$ 16 trilhões nos próximos anos, representando mais de 11% da economia mundial e quase 500 milhões de empregos. Para ele, o Brasil possui vantagens competitivas naturais que ainda não foram plenamente aproveitadas.

“O turismo vai crescer justamente nos segmentos em que o Brasil é líder mundial em potencial: natureza, aventura, experiências e cruzeiros. Não existe razão lógica para que o país não cresça em todos esses mercados”, afirmou.

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Segundo o ex-ministro, o crescimento projetado para o Brasil permanece abaixo do potencial nacional. Enquanto o turismo global deverá avançar cerca de 45% nos próximos anos, o país registra projeções significativamente menores. No turismo de negócios, o cenário se repete.

“Por que vamos crescer menos do que o mundo se temos ativos únicos? A forma como enxergamos o turismo precisa evoluir”, declarou.

Durante sua exposição, Lummertz argumentou que o turismo ainda não é tratado no Brasil como uma política de competitividade nacional. Na avaliação dele, o setor é frequentemente visto apenas como atividade de lazer, quando deveria ser considerado uma ferramenta estratégica de geração de empregos, atração de investimentos e desenvolvimento regional.

O ex-ministro comparou o turismo a um sistema circulatório da economia, responsável por conectar pessoas, negócios e oportunidades. Nesse contexto, ressaltou a importância da conectividade aérea para ampliar o acesso a destinos turísticos e fortalecer economias locais.

“A cidade que hoje está a 12 horas de carro pode estar a uma hora de distância quando existe conectividade aérea. Isso é competitividade nacional”, afirmou.

Lummertz também criticou gargalos estruturais que, segundo ele, limitam a expansão do setor, como a burocracia para licenciamento de empreendimentos turísticos, a falta de integração entre diferentes modais de transporte e a ausência de planejamento coordenado entre governo e iniciativa privada.

Ao citar exemplos internacionais, especialmente da China, destacou a necessidade de desenvolver infraestrutura, acessibilidade e produtos turísticos de forma simultânea. “Lá tudo é planejado em conjunto. Estrada, parque natural, atrativo turístico e conectividade. No Brasil, ainda trabalhamos de forma fragmentada”, observou.

Ex-ministro do Turismo, Vinicius Lummertz defende a criação da 'União Nacional do Turismo'
Lummertz defende união do setor e diz que turismo precisa ser tratado como projeto de país (Yuri Ricci/M&E)

Em um dos momentos mais enfáticos da apresentação, Lummertz afirmou que os diferentes segmentos da cadeia turística precisam deixar de atuar isoladamente e construir uma agenda comum para o país.

“Hotelaria defende hotelaria. Aviação defende aviação. Cruzeiros defendem cruzeiros. Quando cada um fala apenas pelo seu setor, perdemos força. O desafio não é defender um segmento. O desafio é construir uma proposta para o Brasil”, afirmou.

União Nacional do Turismo é o caminho

A principal proposta apresentada pelo ex-ministro foi a criação da chamada “União Nacional do Turismo”, um fórum permanente de articulação entre companhias aéreas, aeroportos, cruzeiros, hotéis, parques, operadores, entidades e representantes do poder público.

Segundo ele, a iniciativa não teria caráter institucional formal, mas funcionaria como uma instância de coordenação capaz de formular propostas estruturantes para o desenvolvimento do turismo brasileiro e dialogar diretamente com o governo federal antes que problemas se transformem em crises.

“Precisamos de um grupo guardião dessa mensagem, que represente toda a cadeia e apresente ao país um projeto de longo prazo. O turismo tem muito a entregar ao Brasil”, finalizou.