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Lentidão na produção de combustível sustentável preocupa setor aéreo

Lentidão na produção de combustível sustentável preocupa setor aéreo

A IATA estima que a produção global de SAF alcançará 2,4 milhões de toneladas em 2026, equivalente a apenas 0,8% do consumo da aviação

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A produção global de combustível dustentável de aviação (SAF) deverá alcançar cerca de 2,4 milhões de toneladas em 2026, volume equivalente a apenas 0,8% do consumo total de combustível da aviação mundial.

Segundo estimativas divulgadas neste sábado (6), durante a Assembleia Geral da Associação do Transporte Aéreo Internacional (IATA), esse montante representará um custo aproximado de US$ 4,3 bilhões para as companhias aéreas.

Os dados foram apresentados pela entidade em meio às discussões sobre a descarbonização do transporte aéreo e os desafios para ampliar a oferta de combustíveis sustentáveis necessários para cumprir a meta setorial de neutralidade de carbono até 2050.

Participação do SAF

De acordo com a IATA, o ritmo atual de expansão da produção de SAF permanece distante do necessário para atender às metas de longo prazo da indústria aérea.

Tudo indica que teremos mais um ano decepcionante para a produção de SAF“, disse Willie Walsh, Diretor-Geral da IATA. “A produção de SAF responderá por apenas 0,8% do combustível utilizado pelas companhias aéreas este ano”.

O gestor atribuiu o cenário à combinação de políticas públicas consideradas insuficientes, à ausência de incentivos adequados e ao baixo interesse da indústria petrolífera em acelerar investimentos na produção de combustíveis sustentáveis para aviação.

Prioridades para ampliar a produção

Para acelerar a expansão do mercado de SAF, a IATA defende uma estratégia baseada em quatro pilares considerados fundamentais para viabilizar a escala industrial necessária.

Entre as prioridades apontadas estão a ampliação da oferta de energia renovável, o acesso aberto à infraestrutura de combustíveis, o fortalecimento dos mecanismos de apoio governamental e a criação de um mercado global com volumes suficientes e preços economicamente viáveis para companhias aéreas e produtores.

A entidade também destaca a importância da adoção de sistemas de book-and-claim, mecanismo que permite negociar atributos ambientais do SAF independentemente da localização física do combustível, ampliando o acesso ao mercado internacional.

Segundo a associação, a consolidação desse modelo dependerá ainda da harmonização de padrões regulatórios globais capazes de garantir previsibilidade e condições competitivas equivalentes entre diferentes mercados.

Desafios do e-SAF

Além do SAF produzido a partir de matérias-primas biológicas, a IATA ressalta o papel crescente do e-SAF, também conhecido como combustível sintético ou eletrocombustível sustentável de aviação.

Produzido por meio da conversão de eletricidade renovável no processo power-to-liquid (PtL), o e-SAF dispensa o uso de biomassa e resíduos oleosos, mas exige grandes quantidades de energia renovável, hidrogênio verde, água e dióxido de carbono capturado.

A União Europeia e o Reino Unido estabeleceram metas que exigiriam aproximadamente 0,6 milhão de toneladas de e-SAF até 2030. Entretanto, a capacidade global atualmente em operação ou em construção está próxima de apenas 0,02 milhão de toneladas.

Segundo a IATA, existe atualmente apenas uma planta produtora de e-SAF em funcionamento. Para atender aos volumes previstos pelos mandatos europeus, seriam necessárias cerca de 20 refinarias comerciais em operação.

A entidade também observa que nenhuma nova Decisão Final de Investimento (FID) para projetos de e-SAF foi anunciada durante o último ano.

Crítica aos mandatos europeus

Segundo Marie Owens, Vice-Presidente Sênior de Sustentabilidade e Economista-Chefe da IATA, os objetivos regulatórios estabelecidos por Reino Unido e União Europeia não refletem a capacidade produtiva atualmente disponível.

As metas de e-SAF para 2030 estipuladas pelo Reino Unido e pela UE estão além do irrealista – elas estão totalmente descoladas da realidade. É uma estratégia temerária de criação de mercado de energia impor mandatos antes que a produção seja viabilizada”, disse Thomsen.

Segundo a executiva, a ampliação da capacidade de geração de energia renovável deveria preceder a implementação de mandatos obrigatórios de consumo, reduzindo custos energéticos e criando bases econômicas mais sólidas para a expansão do e-SAF.

Apoio dos passageiros à descarbonização

A mais recente pesquisa global de passageiros realizada pela IATA, em abril, aponta amplo apoio às iniciativas de redução das emissões do transporte aéreo.

Segundo o levantamento, 89% dos entrevistados acreditam que a aviação deve continuar reduzindo emissões mesmo diante de eventuais recuos governamentais em políticas climáticas.

Além disso, aproximadamente dois terços dos passageiros (66%) afirmaram estar dispostos a pagar valores adicionais para compensar emissões associadas às viagens aéreas.

O estudo também indica que 88% dos entrevistados esperam aumento nos preços das passagens em decorrência dos investimentos necessários para tornar a aviação mais sustentável.

Sustentabilidade

Os dados mostram ainda que os passageiros tendem a priorizar investimentos em soluções tecnológicas de descarbonização.

Entre os entrevistados, 25% apontaram o SAF como principal destino desejado para recursos voltados à redução de emissões, enquanto 23% priorizaram tecnologias de mitigação ambiental. Apenas 10% consideraram a tributação como principal instrumento para enfrentar o problema.

A pesquisa identificou ainda que 48% dos viajantes analisam informações sobre emissões de carbono antes de escolher um voo. Entre aqueles que realizam essa consulta, mais de 85% afirmam que o indicador influencia sua decisão de compra.

Segundo a IATA, os resultados demonstram que a sustentabilidade vem se tornando um fator cada vez mais presente nas decisões de viagem, embora aspectos como preço e conveniência continuem exercendo influência relevante no comportamento dos consumidores.





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