A sustentabilidade terá papel ainda mais relevante na próxima edição da Abav Expo. Após anunciar em 2025 o projeto Turismo que Planta Futuro, a Abav Nacional confirmou a ampliação da iniciativa para a feira de 2026, marcada para acontecer entre os dias 30 de setembro e 2 de outubro, em São Paulo.
A proposta prevê o plantio de uma árvore para cada expositor confirmado no evento. Segundo a entidade, a primeira etapa do projeto já resultou no plantio de 2 mil árvores nas Terras Indígenas Juma, no Amazonas, e Karitiana, em Rondônia, durante o primeiro trimestre deste ano.
Desenvolvida em parceria com a startup Meu Pé de Árvore, a iniciativa busca associar o crescimento do principal evento de turismo da América Latina a ações concretas de regeneração ambiental na Amazônia. A ideia é transformar a participação das empresas na feira em um investimento com retorno ambiental e social, envolvendo diferentes segmentos da cadeia turística.
Projeto aposta na recuperação de áreas degradadas
Embora o plantio de árvores seja o elemento mais visível da ação, o projeto tem alcance maior. O foco está na implantação de sistemas agroflorestais voltados à recuperação de áreas degradadas e ao fortalecimento da segurança alimentar das comunidades participantes.
O modelo combina espécies nativas e cultivos agrícolas, criando alternativas sustentáveis de geração de renda para famílias indígenas. A estratégia também contribui para a permanência dessas comunidades em seus territórios, fortalecendo a proteção das áreas de floresta preservada.
De acordo com a Abav Nacional, os primeiros resultados começaram a aparecer entre o fim de 2025 e o início de 2026. Na Aldeia Juma, os plantios foram realizados por meio da combinação entre conhecimentos tradicionais indígenas e técnicas agroecológicas voltadas à recuperação do solo e da biodiversidade.
Além da captura de carbono proporcionada pelo crescimento das árvores, a iniciativa pretende gerar impactos sociais e econômicos positivos para as comunidades envolvidas.
Visitantes também poderão participar
A edição de 2026 contará com uma novidade: a participação direta dos visitantes no projeto. Durante os três dias da feira, agentes de viagens, operadores, gestores e profissionais do turismo poderão adquirir cotas individuais de plantio.
A expectativa é ampliar o alcance da iniciativa e permitir que cada participante contribua para a expansão das áreas reflorestadas nas Terras Indígenas Juma e Karitiana.
Segundo Ana Carolina Medeiros, presidente da Abav Nacional, a proposta é transformar a sustentabilidade em um compromisso compartilhado por todo o setor.
“A ABAV Expo 2026 será a vitrine de um turismo que assume o protagonismo na proteção do planeta. A inteligência real por trás de cada roteiro inesquecível exige responsabilidade e sustentabilidade econômica. Ao estabelecermos a conversão de estandes em árvores e, simultaneamente, abrirmos a possibilidade de plantio para os expositores, agentes de viagens, trade e todos os visitantes, estamos unindo toda a cadeia produtiva em um propósito único: plantar, juntos, o futuro dos destinos que vendemos e protegemos”, afirmou.
ESG avança no turismo
Nos últimos anos, práticas ligadas ao ESG, sigla para critérios ambientais, sociais e de governança, passaram a ocupar espaço cada vez maior nas estratégias de empresas dos setores de turismo, hotelaria e aviação.
A demanda por iniciativas sustentáveis, impulsionada por consumidores mais atentos às questões ambientais e pelas metas globais de redução de emissões, tem levado organizações a buscar projetos com impacto de longo prazo.
Nesse cenário, ações de reflorestamento e regeneração territorial vêm ganhando destaque por apresentarem resultados que podem ser acompanhados ao longo do tempo e gerar benefícios diretos para as populações locais.
A Abav pretende utilizar a visibilidade da feira para ampliar esse debate e estimular novas formas de engajamento do mercado turístico em projetos de preservação ambiental.
Comunidades indígenas são protagonistas
Para a Meu Pé de Árvore, responsável pela execução da iniciativa, os benefícios vão além da recuperação da cobertura vegetal.
Segundo o CEO da startup, Diogo Hungria, projetos de restauração ambiental precisam considerar também o fortalecimento das comunidades que vivem e protegem a floresta.
“Na Meu Pé de Árvore, acreditamos que restaurar a Amazônia é também fortalecer quem vive e protege o território. Os sistemas agroflorestais implantados junto às comunidades indígenas ampliam a segurança alimentar, geração de renda e permanência das famílias em suas terras, um dos fatores mais importantes para manter a floresta em pé”, destacou.
O executivo avalia que a participação da Abav representa um movimento relevante para aproximar grandes eventos do turismo de iniciativas permanentes de regeneração ambiental.
A entidade também espera ampliar a participação das empresas por meio da aquisição de cotas adicionais de plantio durante a contratação dos espaços na feira.
