A programação do segundo dia da WTM Latin America reuniu debates sobre sustentabilidade, inovação e tendências de mercado, além da entrega de 26 troféus na sexta edição do Prêmio de Turismo Responsável, que reconhece projetos com impacto positivo no setor de viagens e turismo na América Latina.
REDAÇÃO DO DIÁRIO – com assessorias
Distribuídos pelos três teatros do evento, os painéis avançaram de discussões estruturais sobre distribuição e regeneração de destinos para reflexões práticas envolvendo tecnologia, fidelização de clientes e leitura de tendências aplicada à estratégia comercial. O recorte conectou impacto socioambiental, inteligência de dados e geração de negócios.
Distribuição de viagens e regeneração de destinos
Um dos debates de destaque no teatro Technology & Innovation foi o painel “Do inventário ao impacto: como a distribuição de viagens pode regenerar destinos”, com participação de Mariana Aldrigui, Alexandre Oliveira, Emilio Inés e Gisela Blok.
Os especialistas defenderam modelos de distribuição que considerem sustentabilidade em toda a cadeia turística, conectando empresas, destinos e experiências de forma a fortalecer pequenos empreendedores e comunidades locais.
Durante o debate, Alexandre Oliveira alertou que decisões aparentemente pequenas podem ampliar desigualdades quando tomadas sem consciência. Já Emilio Inés e Mariana Aldrigui destacaram que o turismo regenerativo só ganha escala quando apoiado em indicadores, dados e integração entre os diferentes atores do setor.
Sustentabilidade no turismo de aventura
Outro painel relevante, “Desafios no caminho para a sustentabilidade: histórias do impacto nos destinos de aventura”, reuniu Marianne Costa, Douglas Simões, Nicolás Caram e Anna Carolina Lobo.
Os participantes trouxeram relatos práticos sobre governança, gestão de recursos e os limites enfrentados por destinos que buscam equilibrar preservação ambiental e desenvolvimento econômico. Entre os alertas apresentados, foi citado que a redução de fauna e flora desde a década de 1970 teria alcançado 95% na América Latina e Caribe, reforçando a necessidade de colocar biodiversidade e comunidades no centro das decisões.
Também houve um chamado para equilibrar expectativas dos projetos com modelos de monetização e investimento capazes de gerar desenvolvimento real nos territórios.
Tecnologia e fidelização no turismo
No painel “Da reserva ao vínculo: como a tecnologia está redefinindo a lealdade”, Melanie Teixeira, Guilherme Padilha e Cinthia dos Santos discutiram como a relação entre empresas e viajantes vem sendo transformada pela tecnologia.
Segundo os especialistas, fidelização deixou de se limitar a programas de pontos e passou a depender de dados, personalização contínua e experiências em tempo real. Nesse contexto, o relacionamento com o cliente começa antes mesmo da reserva, já nas etapas de precificação e distribuição.

Tendências globais com olhar latino
A pesquisadora Mariana Aldrigui também apresentou o painel “Tendências globais com sotaque latino: o que importa para os nossos mercados”, no qual traduziu tendências internacionais para a realidade comercial da América Latina.
Segundo ela, o preço já não é o único fator determinante na escolha do destino. Entre as oportunidades identificadas para a região estão quatro vetores principais:
- busca por identidade cultural nas viagens
- crescimento do bleisure (viagens que combinam negócios e lazer)
- expansão do viajante 50+
- papel da tecnologia como reorganizadora do mercado
A especialista provocou o público ao afirmar que o agente de viagens “não compete com preço nem com plataforma, mas com leitura de cenário”.
México aposta em visto eletrônico para ampliar turismo brasileiro
Durante o evento, Miguel Aguíñiga, chefe da Unidade de Inovação, Sustentabilidade e Profissionalização Turística da Secretaria de Turismo do México, apresentou dados sobre o impacto do visto eletrônico (e-Visa) para brasileiros.
Segundo ele, desde 5 de fevereiro o número de autorizações aprovadas cresceu 460%, totalizando cerca de 12 mil vistos em apenas um mês.
O representante destacou que o Brasil é o único país autorizado a emitir o e-Visa mexicano, medida que busca fortalecer relações turísticas e comerciais entre os dois mercados.
A estratégia faz parte do objetivo do país de subir posições no ranking global de turismo. Em 2025, o México recebeu 47,7 milhões de turistas internacionais, ocupando a sexta posição entre os destinos mais visitados do mundo. A meta oficial é alcançar o quinto lugar até 2030.
No recorte apresentado, o Brasil aparece atualmente na oitava posição entre os principais mercados emissores, mas a expectativa é que, mantida a tendência de crescimento, o país passe a integrar o top 5 até 2027.
A expansão da demanda também pressiona a conectividade aérea. Aguíñiga afirmou que, caso o aumento de vistos se converta em embarques, seriam necessários entre 15 e 20 novos voos adicionais para atender ao fluxo entre os dois países.
“Há conversas em curso com a Embratur e com o Ministério do Turismo do Brasil para discutir, em conjunto com companhias aéreas brasileiras e mexicanas, formas de crescer a conectividade entre os dois países”, afirmou.

Prêmio de Turismo Responsável destaca iniciativas da América Latina
O teatro Transformation também recebeu a cerimônia da 6ª edição do Prêmio de Turismo Responsável da WTM Latin America, que reconheceu iniciativas voltadas ao desenvolvimento sustentável no turismo.
Na abertura, Bianca Pizzolito, líder do evento, destacou a diversidade de projetos inscritos — 192 iniciativas de 16 países da América Latina.
Segundo ela, a premiação simboliza o turismo como agente de transformação e evidencia práticas concretas que já estão sendo implementadas no setor.
A edição deste ano seguiu o tema “Regenerar, restaurar, reconectar”, alinhado ao foco da WTM Latin America 2026 em turismo regenerativo.
Principais vencedores do Prêmio de Turismo Responsável
Mudanças climáticas e conservação da biodiversidade
- Bronze: Secretaria de Turismo de São Sebastião (Brasil)
- Prata: Amazon Emotions (Brasil)
- Prata: Terra Peninsular (México)
- Ouro: Recanto Ecológico Rio da Prata e Lagoa Misteriosa (Brasil)
Diversidade, equidade e inclusão
- Bronze: TURISTEA – Turismo Inclusivo (Brasil)
- Prata: Organización Tlachtli (México)
- Prata: Caboclos House Ecolodge (Brasil)
- Ouro: Café de las Sonrisas (Nicarágua)
Impacto socioeconômico e construção da paz
- Bronze: Municipalidad Distrital de Capachica (Peru)
- Prata: Alagados Turismo Comunitário (Brasil)
- Prata: Fundación Travolution Colombia (Colômbia)
- Ouro: Colección Montes (Colômbia)
Trabalho em rede para turismo responsável
- Bronze: Unión de cooperativas Co’ox Mayab (México)
- Bronze: Cartagena de Indias Convention & Visitors Bureau (Colômbia)
- Prata: Rede de Turismo Sustentável de Brumadinho – Rede Terra (Brasil)
- Ouro: Asociación Civil Museo Comunitario Isla Maciel (Argentina)
Turismo indígena e comunidades tradicionais
- Bronze: Programa Raíces – Impact Hub San José (Costa Rica)
- Bronze: Associação Céu de Montanhas (Brasil)
- Prata: Quichwa Expedition Native Travel (Equador)
- Ouro: Centro ecoturístico Kíichpam K’áax (México)
Patrimônio histórico e memória
- Bronze: Tours Mitote – Xochimilco (México)
- Prata: Agência Agroturística Conociendo el Pacífico Nariñense (Colômbia)
- Ouro: Museu da Gastronomia Maranhense – São Luís (Brasil)
Categoria especial: turismo regenerativo
- Bronze: Projeto Plantar – Minas Gerais (Brasil)
- Prata: Reserva de Conservación Torres del Paine (Chile)
- Ouro: Reserva Biológica Bosque Nuboso Monteverde (Costa Rica)
