SÃO PAULO – A proposta da Wikitravel parte de um problema que ainda passa despercebido por boa parte do setor: a desorganização das informações turísticas na internet.
Durante a WTM Latin America, Aroldo Schultz demonstrou, na prática, como ferramentas de inteligência artificial como ChatGPT, Copilot e Gemini ainda apresentam inconsistências ao responder perguntas básicas sobre destinos brasileiros.
Ao testar um mesmo prompt nas três plataformas, o executivo identificou divergências tanto na lista de cidades mais visitadas quanto nos sites oficiais de turismo indicados. “Isso mostra que o problema não está na inteligência artificial, mas na falta de dados estruturados. A IA só é inteligente se tiver fontes inteligentes”, afirmou.
A partir dessa constatação, surgiu a Wikitravel, definida pelo executivo como um “portal de inteligência” voltado à organização de informações turísticas. A proposta é reunir, em um único ambiente, dados padronizados de destinos, como nome da cidade, estado, site oficial, fotos e vídeos, permitindo que as próprias IAs passem a utilizar essas referências de forma mais precisa.
Wikitravel propõe nova base de dados para o turismo
“A IA não cria sozinha, ela busca. Somos nós que precisamos preparar os dados.”
A plataforma permite que municípios façam a gestão dessas informações de forma gratuita, contribuindo para a padronização e atualização contínua dos conteúdos. Segundo Schultz, a iniciativa já avançou em parcerias institucionais, com adesão do estado do Paraná e negociações em andamento com Alagoas e o Ministério do Turismo.
Além da organização de dados, a Wikitravel também incorpora funcionalidades voltadas à experiência do usuário. A ferramenta permite, por exemplo, identificar atrativos próximos com base na localização do turista, facilitando a descoberta de atividades em tempo real.
Integração com agências e fortalecimento do setor
Outro movimento estratégico envolve a integração com a Abav. A plataforma firmou parceria com a Abav-PR, que será a primeira a integrar suas agências ao sistema.
Com isso, as empresas associadas passarão a receber diretamente as demandas geradas pelos usuários da plataforma. A expectativa é expandir o modelo para outras regionais da entidade em todo o país.
Para Schultz, a iniciativa pode contribuir não apenas para melhorar a visibilidade dos destinos brasileiros no ambiente digital, mas também para fortalecer a cadeia de distribuição do turismo. “A gente já desenvolveu a tecnologia. Agora é preciso que o setor abrace a ideia e entenda a importância de organizar os dados”, concluiu.
