Em tempos de Copa do Mundo, a imagem que costuma vir à cabeça quando se fala em Ronaldinho Gaúcho é a do camisa 10 sorridente que encantou o planeta, conquistou o Mundial de 2002 e se tornou um dos maiores jogadores da história do futebol.
Mas há uma faceta do ex-craque que permanece relativamente desconhecida do grande público. O atleta, acredita, também atua como músico, compositor e produtor — e, sim, acumula sucessos no campo artístico.
Dados do Ecad, o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, apontam que Ronaldo de Assis Moreira aparece como compositor ou autor de 91 canções registradas no país, além de figurar como intérprete em outras 32 obras.
Entre as músicas de maior alcance está “Agora perdeu”, sucesso do grupo Bom Gosto que soma milhões de reproduções nas plataformas digitais. Outra é “Favela”, gravada pelo rapper Delacruz.
A relação de Ronaldinho com a música começou muito antes da fama nos campos. Criado em Porto Alegre (RS), ele cresceu ouvindo samba e pagode dentro de casa, influenciado pelo irmão Assis.
Com habilidade também na percussão, aprendeu a tocar instrumentos como tantã e rebolo e transformou a música numa companhia inseparável ao longo da carreira.
Um dos registros mais lembrados dessa paixão aconteceu justamente durante a campanha do pentacampeonato mundial.
Após partidas da seleção brasileira na Copa de 2002, na Coreia do Sul e no Japão, era comum ver Ronaldinho comandando rodas de samba improvisadas entre os jogadores.
Anos depois, às vésperas da final da Copa do Mundo de 2018, ele voltou a chamar atenção ao aparecer tocando tambor em uma ação promocional realizada na Rússia.
Já aposentado do futebol, o ex-jogador, de 46 anos, mergulhou de vez no universo musical. Além de participar de gravações, tornou-se incentivador de novos artistas, como o grupo Revelação — que ajudou a projetar nacionalmente nos anos 2000 — e passou a investir em projetos próprios. Um deles é a Tropa do Bruxo, coletivo voltado principalmente para trap e funk, responsável por reunir nomes de destaque da cena urbana brasileira.
Em entrevista ao GLOBO, em 2021, Ronaldinho explicou que a música sempre ocupou um espaço importante em sua vida.
— A música sempre fez parte da minha vida. Sempre tive uma relação com com esse cenário e amizade com grupos de samba e pagode, principalmente, que é um ambiente bem próximo do futebol. O que me motivou ao projeto é o efeito que a música causa nas pessoas, e meu lance sempre foi com composição e aí logo vieram as participações — explicou, à época.
Na mesma conversa, ele contou por que decidiu apostar no trap:
— Sempre curti o r&b, rap, hip hop, e o trap cresceu muito nos últimos anos. É um beat diferente que no Brasil virou um lance de gente jovem, uma galera pra frente que tem ideias e objetivos — detalhou. — É um gênero que tem menos regras, que usa as redes sociais e as plataformas a seu favor.
O envolvimento de Ronaldinho com a música vai além da imagem de celebridade emprestando o nome a projetos. Músicos, compositores e produtores que trabalharam com ele, como os cantores Wesley Safadão e Péricles, costumam destacar seu conhecimento técnico, sua dedicação ao processo criativo e sua participação ativa nas composições.
Mais recentemente, Ronaldinho ampliou sua atuação no setor com o lançamento da gravadora Tu Música, sediada em Miami.
A iniciativa mira talentos latino-americanos e reforça um caminho que o ex-camisa 10 vem percorrendo há anos: o de transformar uma paixão de infância em uma segunda carreira.
Ronaldinho Gaúcho: sucessos na música
A seguir, confira alguns dos sucessos de Ronaldinho Gaúcho (como compositor ou intérprete).
‘Agora perdeu’, do Grupo Bom Gosto
‘No meu quintal’, de Pique Novo e Péricles
‘Vamos beber (Joga o copo pro alto)’, de Dennis DJ e João Lucas & Marcelo
‘Você não vive sem’, de Iza
