Saiba como funciona a entrevista de imigração e o que responder ao chegar aos EUA (Freepik/IA)

Passar pela imigração dos Estados Unidos costuma ser um dos momentos de maior tensão para quem viaja ao país. Mesmo com o visto aprovado, muitos turistas chegam ao destino com receio da entrevista realizada pelos agentes de fronteira, etapa obrigatória para a autorização de entrada em território americano.

Perguntas sobre o motivo da viagem, o tempo de permanência, vínculos com o país de origem e condições financeiras estão entre as mais frequentes e, embora o procedimento geralmente dure apenas alguns minutos, a falta de preparo pode aumentar a ansiedade dos viajantes.

Segundo a advogada de imigração Dra. Larissa Salvador, fundadora da Salvador Law, é importante compreender que a emissão do visto não garante automaticamente a entrada nos Estados Unidos. A entrevista tem a função de confirmar as informações fornecidas pelo visitante e verificar se o objetivo da viagem é compatível com a categoria do visto apresentado.

Para ajudar turistas que pretendem visitar os Estados Unidos, a especialista esclarece quais são os questionamentos mais comuns feitos pelos oficiais de imigração e como lidar com eles de forma segura e transparente.

Qual o motivo da sua viagem?

Esta costuma ser a primeira pergunta feita pelo agente de imigração. De acordo com Larissa Salvador, a recomendação é responder de maneira simples e objetiva, sem tentar elaborar justificativas excessivas.

“As pessoas acreditam que precisam dar detalhes excessivos ou tentar parecer mais convincentes, quando, na verdade, o mais importante é ser transparente. Se a viagem é para turismo, basta informar isso e, se solicitado, apresentar informações sobre o roteiro, hospedagem ou duração da estadia. O oficial busca consistência entre o que está sendo dito e os documentos apresentados”, afirma.

Quanto tempo você pretende ficar nos Estados Unidos?

O período informado pelo viajante deve ser compatível com as passagens, reservas e programação da viagem. Por isso, é importante ter clareza sobre as datas e estar preparado para apresentá-las caso seja solicitado.

“É importante saber exatamente quantos dias pretende permanecer no país e apresentar informações coerentes com passagens, reservas de hospedagem e demais documentos”, orienta a advogada.

Você conhece alguém nos Estados Unidos?

A pergunta busca entender se o visitante possui familiares, amigos ou qualquer outro tipo de vínculo no país. O objetivo não é impedir a entrada de quem tem conhecidos nos Estados Unidos, mas verificar se as informações apresentadas são consistentes.

Segundo a especialista, os agentes possuem acesso a diferentes dados e são treinados para identificar possíveis contradições durante a entrevista. Por isso, omitir informações ou fornecer respostas divergentes pode gerar questionamentos adicionais.

Ela destaca que quem pretende se hospedar na residência de um familiar ou amigo deve estar preparado para informar endereço, relação de parentesco e detalhes básicos sobre a estadia.

“Quando o viajante afirma que ficará hospedado com um familiar ou amigo, é natural que o oficial faça perguntas adicionais para confirmar a coerência das informações. Se a pessoa sabe onde vai ficar, quem vai receber sua visita e qual é o objetivo da viagem, geralmente consegue responder com tranquilidade”, afirma Larissa.

Quanto dinheiro você está trazendo?

Outra dúvida comum dos agentes está relacionada à capacidade financeira do visitante para custear a permanência no país. Nesses casos, documentos como extratos bancários, comprovantes financeiros, reservas já pagas e cartões de crédito podem servir como evidências de que o turista possui recursos suficientes para a viagem.

Qual é a sua profissão?

Embora pareça uma pergunta simples, a ocupação profissional é considerada uma informação relevante durante a análise do perfil do viajante. Isso porque ela ajuda a demonstrar os vínculos mantidos com o país de residência e reforça a intenção de retorno após o período autorizado de permanência.

“A imigração procura entender se o viajante possui razões concretas para retornar ao seu país de residência após a viagem. Um emprego formal, um negócio próprio, compromissos acadêmicos, são exemplos de elementos que demonstram laços com o Brasil e ajudam a contextualizar o propósito da visita aos Estados Unidos”, explica.

A advogada ressalta que não existe uma profissão considerada mais favorável ou desfavorável pela imigração. O que importa é que as informações sejam verdadeiras e compatíveis com o contexto apresentado pelo visitante.

Preparação e sinceridade ajudam a evitar problemas

Apesar da fama de rigoroso, o processo de imigração costuma ser rápido para quem viaja com documentação regular e informações consistentes. Para Larissa Salvador, o segredo está menos em decorar respostas e mais em conhecer os detalhes da própria viagem.

“Em vez de pensar na resposta perfeita, o viajante deve se preocupar em responder de forma verdadeira e objetiva. A entrevista não é um teste para encontrar contradições, mas um procedimento para confirmar as informações da viagem. Quanto mais natural e consistente for a comunicação, mais tranquilo tende a ser o processo”, conclui.