O evento, aberto na manhã desta terça-feira (14) e que se estende até a próxima quinta-feira (16), no Expo Center Norte, em São Paulo, fixa o olhar no papel que o turismo tem como atividade de desenvolvimento responsável.
O tema da WTM Latin America 2026 traduz o compromisso de ir além do peso econômico do setor. “Regenerar, Restaurar, Reconectar, Viajar com Propósito” convida os atores do mercado de viagens a serem protagonistas das mudanças que fazem a ponte entre presente e futuro.
Para a CEO da feira, Bianca Pizzolito, a realização do encontro, que mescla conexões e negócios, realizado há 14 anos em solo brasileiro, estabelece conexões entre viajantes e fornecedores do turismo. “Esta edição junta a honra de reunir tantos nomes do turismo e igualmente rostos novos, uma vez que nos encontramos num momento de mudança, que representa movimento e escuta”, considerou a dirigente. Ao mesmo tempo, sintetizou o poder do evento de se adaptar e evoluir, ao se transformar em plataforma que abre espaço para dar voz ao setor.
No entender de Pizzolito, o turismo regenerativo aponta para a pluralidade e para a possibilidade de preservação. Muito além em seus objetivos, de acordo com ela, a WTM Latin America reúne, coletivamente, os interesses e perspectivas de toda a América Latina e se encerra em “potência integrada de diversidade, natureza, oportunidade e negócios”. O encontro de ministros de quase 10 países do continente, numa experiência inédita na versão brasileira do evento, é outro marco que destaca a atual edição.

O segmento de eventos como instrumento pronto a unir as pontas do negócio do turismo foi destacado pelo diretor-geral da RX, organizadora da WTM Latin America, Cláudio Della Nina, que ressaltou o fato de o universo de feiras de negócios motivar pessoas e corporações, resultando em espaço capaz de promover encontro, inovação e networking. “Sempre com inovação em tecnologias e orientado para resultados, o alvo, na interpretação do executivo, são os indivíduos, razão de ser das feiras. “Estamos prontos a ajudar a construir o futuro do turismo e de vários mercados que acionam a roda da economia”.

Jonathan Heastie, diretor global da RX International, destacou que novas tecnologias e conexões são a mola mestra dos negócios e considerou o Brasil polo emissor de tendências para o turismo mundial.
O ministro do Turismo do país, Gustavo Feliciano, prestigiou o evento e se alinhou à vertente que considera justa a escala 6×1, ao se manifestar sensível a que o trabalhador tenha horas de descanso e de lazer junto à sua família. Frisou os investimentos em infraestrutura que priorizam aeroportos e estradas, forma de aprimorar o movimento dos viajantes pelo país.

Navegar é preciso!
Heloísa Schurmann, matriarca da família de velejadores que estabelece missão pelos mares do mundo há 42 anos, foi o ponto alto da abertura do evento. Ela se considera “uma turista por excelência”, ao desbravar oceanos com o crivo da sustentabilidade. Relatou aos presentes que, em 1984, ela e o marido foram agraciados com viagem para um resort na ilha de St. Thomas, no Caribe.

Na oportunidade, houve o primeiro contato com um veleiro e nascia a paixão pela atividade à qual se dedicou junto com o clã Schurmann, responsável pelo projeto “Voz dos Oceanos”. “Tenho orgulho de ser brasileira e de propagar a nossa nacionalidade ao navegar”, disse ela. Muito vinculada à defesa do turismo regenerativo, acentuou a importância vital de se defender o meio ambiente, com ênfase no combate ao plástico que prejudica os oceanos. “Temos constatado este novo meio de fazer turismo em várias partes do mundo”, testemunha a matriarca do grupo.
A palestrante, afinada com o tema da WTM Latin America, citou exemplos de modo sustentável de trabalhar a visitação de destinos, como o da região amazônica do Tapajós, onde uma local, dona Dulce, cuida com atenção e técnica da planta nativa da vitória-régia e utiliza as mesmas como matéria-prima de pratos servidos aos viajantes. Outro modelo de turismo regenerativo que ela assinalou foi o da oficina de corais, em Porto de Galinhas (PE), onde as visitas são um convite a restaurar o patrimônio natural. Mas deu o recado para o poder público de que “é preciso que se pense em leis para que o turismo se estruture com este conceito de cuidado ambiental”.

Para Heloísa Schurmann, a Nova Zelândia é um case de modo de receber de forma responsável. Citou o Tiaki Promise, um compromisso que o viajante assume ao pisar no destino, que o orienta a agir de forma consciente e consequente ao se movimentar pelo território.
Ao final, a velejadora cobrou aqueles que atuam no segmento de viagens a fazerem a sua parte. “Tenho muita esperança nas pessoas, nos atores do turismo, na capacidade de cada um em encontrar o porto seguro da regeneração do Planeta Terra e de suas águas”, frisou em tom de desafio proposto aos participantes do evento.





