O cantor Netinho, que morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, após enfrentar um linfoma não Hodgkin, foi impedido de cantar “Milla”, seu maior sucesso. O motivo? Uma treta política.
Tudo começou quando o cantor, um dos principais nomes do axé music, declarou apoio ao então presidente da República, Jair Bolsonaro.
Era março de 2019, e a cantora Daniela Mercury havia dado início a uma discussão com o chefe do Executivo, que citara a Lei Rouanet. Netinho saiu em defesa de Bolsonaro postando uma foto ao lado do político e a seguinte legenda:
“Eu nunca usei Lei Rouanet, nem quero. Ele sim me recebeu respeitosamente e não fui lá pedir nada, reclamar nada. Fui lá apenas para dizer a ele que se recuperaria da facada que recebeu”.
Diante da publicação de Netinho e da alfinetada em Daniela, Manno Góes, compositor da música e dono de posição política oposta a do cantor, fez um textão no Facebook colocando fim à amizade dos dois e proibindo Netinho de regravar suas músicas.
“A Milla da música é amor! É liberdade! É diversidade! Jamais seria tortura, homofobia, xenofobia, preconceito. Jamais seria ligada à milícia ou laranjas”, disse à época. “A música Milla tem que estar conectada ao lúdico, alegre, divertido, adolescente, amoroso… Jamais a essas pessoas horríveis que admiram Bolsonaro e criticam colegas de trabalho por pura maldade, inveja ou burrice […] Milla jamais seria composta por um admirador de Bolsonaro”, emendou.
O compositor ressaltou que seu desgosto não tinha a ver com o fato de Netinho ter votado em Bolsonaro, mas sim em quem o músico teria se transformado.
“Um rapaz que rebate sua colega de profissão, Daniela, com memes e ironias, por ela querer defender o diálogo. Um rapaz que virou um constrangimento. Um outdoor de vergonha e retrocesso medieval. Esse rapaz de hoje jamais faria sucesso com Milla”, disparou.
No texto, Góes deixava claro ainda que não queria ver mais Netinho cantando suas músicas novamente.
“A Milla da música não tem nada a ver com o personagem constrangedor que Netinho virou. Que nunca mais vai gravar Milla, ou Pra Te Ter Aqui, ou qualquer coisa que eu compuser […] Naufrague com sua maldade, Netinho. Se achasse que você só está ainda doente, não te escreveria isso. Você está são e completamente conectado com esse governo inacreditavelmente perverso. Não me chame de amigo. Não sou seu amigo. Não quero mais ser seu amigo. Você não merece Milla. Bicha burra”, concluiu.
Após a divergência e desentendimento nas redes, Netinho entrou com um processo contra Manno Góes, mas perdeu.
O juiz do caso absolveu o compositor na queixa-crime movida pelo artista. Entendeu que confusão entre os dois era produto da polarização que há anos tem marcado cenário político-partidário nacional.
Em 2023, Netinho fez uma série de posts apoiando os ataques golpistas que aconteceram em Brasília em 8 de janeiro. Depois, os posts foram deletados da rede social do cantor.
