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Transporte aéreo global recua em setembro, segundo IATA

Transporte aéreo global recua em setembro, segundo IATA

IATA divulga dados de setembro de 2026: demanda global de passageiros cai 0,5%, com RPK internacional em alta de 0,4% e doméstico em queda de 2,2%

Dados da Associação do Transporte Aéreo Internacional (IATA) divulgados nesta sexta-feira(30), referentes a setembro de 2026, apontam retração de 0,5% na demanda global por transporte aéreo de passageiros, medida em RPK, na comparação com setembro de 2025.

Excluído o Oriente Médio, houve crescimento de 0,3%. A oferta total, em ASK, recuou 0,2% no mesmo período, com taxa de ocupação de 83,2%, queda de 0,3 ponto percentual.

No transporte aéreo de cargas, o desempenho foi inverso. A demanda total, medida em CTK, cresceu 7,7% em setembro na base anual, com alta de 8,6% nas operações internacionais. A capacidade, em ACTK, avançou 2,7% na comparação anual, com 3,3% no segmento internacional.

Demanda de passageiros

O resultado consolidado de passageiros reflete contração moderada no tráfego global. A capacidade ajustada em baixa e o fator de aproveitamento em 83,2% indicam equilíbrio entre oferta e demanda em patamar elevado, apesar da variação negativa.

Segundo a IATA, o recuo está associado a fragilidades em mercados específicos. “A demanda por transporte aéreo caiu 0,5% em setembro, refletindo fraquezas no Oriente Médio e na América do Norte“, disse Marie Owens Thomsen, Vice-Presidente Sênior de Sustentabilidade e Economista-Chefe da IATA.

Mercado internacional

No segmento internacional, a demanda cresceu 0,4% em setembro ante o mesmo mês de 2025. Sem considerar o Oriente Médio, a alta foi de 1,7%. A oferta internacional aumentou 0,5%, com load factor de 83,6%, recuo de 0,1 ponto percentual.

A IATA registrou melhora generalizada sobre agosto nas principais rotas internacionais, com retomada de crescimento em parte delas e desaceleração da queda em outras. O comportamento repete padrão observado ao longo de 2026, em cenário de incerteza geopolítica e volatilidade no preço do combustível.

A expectativa para outubro e novembro é de capacidade programada global acima dos níveis de 2025, mas com taxas de crescimento fracas e desbalanceadas entre regiões.

Mercado doméstico

A demanda doméstica, medida em RPK, caiu 2,2% em setembro de 2026 na comparação anual. A capacidade no segmento recuou 1,3%, com fator de aproveitamento de 82,5%, queda de 0,7 ponto percentual.

A resiliência observada na Austrália, Brasil e China foi superada pela fraqueza nos Estados Unidos, com retração de 2,7%, possivelmente associada à confiança do consumidor. A Índia registrou queda de 8,3%, a mais acentuada do ano no mercado doméstico. No Japão, o tráfego doméstico recuou 0,8%, impactado por cancelamentos relacionados a condições meteorológicas durante parte do período da Silver Week.

América Latina

As empresas aéreas latino-americanas apresentaram crescimento de 8,2% na demanda internacional de passageiros em setembro, com expansão de 7,6% na capacidade. A taxa de ocupação atingiu 83,9%, alta de 0,5 ponto percentual.

No transporte aéreo de cargas, as companhias da América Latina e Caribe registraram avanço de 6,7% na demanda em setembro na base anual, com aumento de 7,6% na capacidade.

Transporte aéreo de cargas

O mercado de carga aérea manteve expansão em todas as regiões. O crescimento de 7,7% no CTK total reflete fortalecimento do comércio global e da atividade manufatureira, além de remessas relacionadas à cadeia de tecnologia.

Segundo Owens Thomsen, o desafio está no custo operacional. “O preço do querosene de aviação mais que dobrou em relação a um ano atrás e os yields não acompanharam. Não há falta de mercadorias para transportar, mas fazê-lo com rentabilidade diante dos preços persistentemente altos de combustível tornou-se mais desafiador“, disse.

O desempenho por rota comercial foi misto. A ligação Ásia-América do Norte liderou o crescimento, seguida por intra-Ásia, Europa-América do Norte e Europa-Ásia. Corredores ligados ao Oriente Médio permaneceram pressionados, com queda nas rotas Europa-Oriente Médio e Oriente Médio-Ásia.

Fatores operacionais

Três fatores do ambiente operacional foram destacados pela IATA. O comércio global cresceu 3,6% em agosto na base anual, estendendo para 42 meses a sequência de expansões mensais. O preço do querosene de aviação subiu 17,5% em setembro na base mensal e 103,4% na comparação anual.

Na indústria, o Índice de Gerentes de Compras (PMI) de produção manufatureira global avançou 0,7 ponto para 53,8 em agosto, enquanto o índice de novos pedidos para exportação subiu 0,5 ponto para 51,9. Ambos atingiram o nível mais alto em cinco anos, com suporte à demanda por transporte aéreo de cargas.





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