A saga “Toy Story” é, inegavelmente, um dos maiores clássicos da Pixar. Afinal, são mais de 20 anos acompanhando crianças que viraram adolescentes, adultos e, agora, levam uma nova geração aos cinemas. A expectativa é alta e, com certeza, deve reunir diferentes públicos nas salas brasileiras oficialmente a partir desta quinta-feira (18).
Se no passado a ameaça era a chegada de um brinquedo mais moderno, agora o desafio parece ser outro. Pela primeira vez, os brinquedos não disputam espaço com outros brinquedos. Eles disputam espaço com as telas.
Dirigido pelo vencedor do Oscar Andrew Stanton (“Wall-E”), codirigido por Kenna Harris (“Olá, Alberto”) e com trilha sonora de Randy Newman, que retorna para seu quinto filme da franquia, “Toy Story 5” já contou com sessões antecipadas no Brasil nesta quarta-feira (17).
A animação também traz a canção inédita “I Knew It, I Knew You”, interpretada por Taylor Swift. O videoclipe oficial da música foi divulgado pela Disney e apresenta cenas inéditas da personagem Jessie, uma das protagonistas desta nova aventura.
Dublagem brasileira
Na versão brasileira, Maisa dá voz a Lilypad, personagem que representa a nova geração de entretenimento e se torna a favorita de Bonnie. Já Rafael Infante interpreta Amigo Rolinho, um dispositivo tecnológico de treinamento de troninho tão desbocado quanto carismático.
O mundo dá voltas
Em “Toy Story”, lançado em 1995, o conflito surgia com a chegada de Buzz Lightyear, um boneco tecnológico, com roupas coloridas, capacete de vidro transparente que abre e fecha, além de asas embutidas. Considerado na época um brinquedo de tecnologia avançada, Buzz parecia ameaçar o lugar de Woody nas brincadeiras de Andy. Trinta e um anos depois, a estrutura é resgatada.
Toy Story 5 volta a refletir sobre questões e angústias da modernidade e acaba se tornando uma espécie de espelho da própria origem da franquia. Porém, desta vez, a situação ganha outra dimensão. Nem mesmo Buzz poderia imaginar que os maiores concorrentes dos brinquedos seriam tablets, celulares e dispositivos capazes de ocupar horas da atenção das crianças. A ameaça da vez é Lilypad, um tablet em formato de sapo.
Mais do que uma disputa entre brinquedos e aparelhos eletrônicos, o filme questiona a forma como as crianças se relacionam com o lúdico. Durante décadas, a franquia foi construída sobre a ideia de que bastava imaginação para transformar um quarto em uma nave espacial, um deserto ou uma floresta. Agora, a própria imaginação parece disputar espaço com estímulos que chegam prontos pelas telas.
A pergunta que atravessa toda a narrativa parece simples, mas carrega um peso considerável: será que o tempo dos brinquedos chegou ao fim?
O lançamento sucede “Toy Story 4”, filme que dividiu opiniões e foi considerado por parte do público o capítulo mais dispensável da franquia. O desafio agora parece ser reconquistar os espectadores mais antigos sem perder de vista uma nova geração que chega aos cinemas.
Sem fim
Talvez seja justamente essa capacidade de se reinventar que mantenha a saga viva há mais de três décadas. As crianças mudaram, os brinquedos mudaram e a tecnologia também. Com isso, mais uma pergunta se apresenta como aquela feita pelo primeiro filme: o que acontece quando algo novo ocupa o lugar daquilo que amamos?
Enquanto houver novas formas de brincar, de crescer e de enxergar o mundo, parece que “Toy Story” ainda terá histórias para contar e seguirá crescendo junto com as crianças que acompanham a saga.
