Nordeste Magazine
Cultura

Subestimado pela crítica, amado pelo público: filme de super-herói chega à Netflix e vira um dos mais assistidos do momento

Subestimado pela crítica, amado pelo público: filme de super-herói chega à Netflix e vira um dos mais assistidos do momento

A responsabilidade é o eixo que ancora qualquer poder ou talento fora do comum. Ninguém passa incólume à mera suposição de que, algum dia, a humanidade acabará por colher todos os amargos frutos que nascerão da semente de negligência, descaso, predação indiscriminada e ganância sem freio e sem propósito que ela mesma lançou pela Terra, globo feito em grande parte da água cada vez mais preciosa com que irrigamos as lavouras que nutrem gente e bichos, progresso e atraso. Como todo filme de super-herói que se preze, “Lanterna Verde” flerta com o apocalipse, porém o didatismo de que o diretor Martin Campbell lança mão compromete muito do resultado final. Tudo parece explicado demais, mastigado, decerto por causa das mil cenas nas quais a computação gráfica torna-se um elemento narrativo de destaque, a ponto de quase dispensar o esmerado roteiro de Greg Berlanti, Michael Green e Marc Guggenheim.

Aqui, Hal Jordan, um piloto aéreo para altas performances, recebe um anel mágico de um certo Abin Sur. O amuleto permite que Hal transforme-se no novo Lanterna Verde, uma legião de guerreiros que atuam em todo o universo, convencendo os seres humanos da força da Vontade contra o Medo. Enquanto Hal visita Oa, o planeta-sede dos Lanternas Verdes, Hector Hammond ascende ao posto de grande tirano deste mundo, um argumento importante que pode passar batido para quem não é fã das histórias criadas por Martin Nodell (1915-2006) e Bill Finger (1914-1974) para a DC. Aflora uma tensão incomum entre Hal e seu antípoda, subestimada por Campbell. Unindo técnica e sensibilidade, Ryan Reynolds e Peter Skarsgård tratam de realçar o enfrentamento, iluminando algumas das próximas subtramas. Lanterna Verde passa a combater Parallax, corporação escatológica patrocinada pelo Medo e entender que sem ele não há saída.

O messianismo do longa tem lá sua graça. Hal Jordan, o candidato a salvador da hora, expia os pecados da humanidade não pelo sangue, como o Nazareno, mas com a ajuda de uma joia investida de propriedades sobrenaturais, mais discreta e charmosa que um crucifixo. Qualquer um pode crer no profeta que quiser, e sob o verniz tecnológico de Anciães Verdes em castelos de um tempo remotíssimo e personagens deslizando pelo ar, mantém-se a transgressão e o sonho, afortunadamente. “Lanterna Verde” ganharia mais caso assumisse sua loucura, atitude que Reynolds e Skarsgård levam às derradeiras consequências. Por dessas ironias do cinema, Lanterna Verde acerta-se com sua Carrie Farris, a mocinha de Blake Lively, na vida real. Às vezes, a vida não só arremeda a arte como é-lhe bem mais estimulante.

Filme:
Lanterna Verde

Diretor:

Martin Campbell

Ano:
2011

Gênero:
Ação/Ficção Científica

Avaliação:

7/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Veja também

Câmara reconhece hip hop como manifestação da cultura nacional

Redação

Festi’Ouro, em Flores, celebra centenário de Moacir Santos com muita música instrumental

Redação

Carolina Dieckmann explicou por que evita depoimentos relacionados a Preta Gil; entenda

Redação

Leave a Comment

* By using this form you agree with the storage and handling of your data by this website.