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Spotify exclui 500 mil reproduções de música que chegou ao topo por suspeitas de apostas

Spotify exclui 500 mil reproduções de música que chegou ao topo por suspeitas de apostas


O Spotify removeu mais de 500 mil reproduções da canção “Earrings”, do cantor americano Malcolm Todd, que havia disparado para o primeiro lugar de seu ranking de faixas mais reproduzidas nos Estados Unidos, após descobrir que o salto nas execuções coincidiu com o aumento de apostas suspeitas relacionadas à faixa feitas na plataforma de mercado de previsões Kalshi.


Segundo informou o Financial Times, a música, lançada originalmente em 2024, registrou um salto de 70% nas reproduções entre a noite de domingo e a manhã de segunda-feira. Isso levou a música, lançada em 2024, ao primeiro lugar na parada diária da plataforma.


Os apostadores que, na semana anterior à segunda-feira, apostaram na Kalshi que Todd teria uma música número um no Spotify dos EUA em junho obtiveram um retorno de aproximadamente 20 vezes o valor inicialmente investido.


O Spotify iniciou um ainvestigação e concluiu que o salto nas reproduções da faixa musical haviam sido geradas por bots (programas automatizados configurados para executar músicas repetidamente com o objetivo de inflar artificialmente sua popularidade).




Na quarta-feira, a empresa divulgou, então, uma versão atualizada de seus hits, depois de remover as reproduções de “Earrings” . Com a correção, diz o FT, a música caiu para a quarta posição nos Estados Unidos na segunda-feira. Quando isso ocorreu, porém, a Kalshi já havia pago os apostadores que acertaram o resultado, considerado altamente improvável.


Após identificar a manipulação, o Spotify entrou em contato com a Kalshi e a Polymarket, e pediu que elas removessem seu logotipo de suas plataformas e esclarecessem que nenhuma das duas empresas mantém parceria com o serviço de streaming.


— Estamos em contato com o Spotify e investigando ativamente essa questão — afirmou Elisabeth Diana, porta-voz da Kalshi.


Em comunicado enviado à rede CBS News, um porta-voz do Spotify afirmou que todos os serviços de streaming enfrentam tentativas constantes de manipulação de reproduções.


“O Spotify conta com sistemas de detecção e mitigação considerados referência no setor para identificar streams manipulados e não paga royalties associados a essas reproduções”, disse em nota.


O FT ressaltou que não há qualquer indício de que Malcolm Todd ou sua equipe tenham participado de qualquer tentativa de inflar artificialmente a audiência da música no Spotify.


O episódio ocorre em meio à crescente preocupação de que a rápida expansão dos mercados de previsão, como os operados por Kalshi e Polymarket, esteja abrindo uma nova frente para operações de uso de informação privilegiada e manipulação de mercado.


A Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês), agência reguladora do governo dos Estados Unidos, é responsável por supervisionar os mercados de previsão, setor que já atraiu bilhões de dólares em investimentos de capital de risco.


Com informações da Bloomberg

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