Depois de mais de dez anos lapidando uma sonoridade que cruza soul, samba, MPB, jazz, funk e referências da diáspora africana, o Soul de Brasileiro apresenta seu primeiro álbum.
Intitulado “SOU” o disco chegou às plataformas nesta quarta (29), pelo selo Toca Discos, com distribuição da Universal Music, acompanhado do videoclipe de “Oxum Rabane”.
Criado por Negra Silva, José Junior e Ge Vieira, o trio nasceu na Vila Kennedy, zona oeste do Rio de Janeiro (RJ), onde a convivência com a música começou ainda na juventude, em igrejas do bairro.
Desde então, o encontro das três vozes foi ganhando identidade própria, refletindo temas como pertencimento, ancestralidade, espiritualidade, afeto e as múltiplas experiências de quem atravessa o Brasil contemporâneo.
O repertório recebe convidados que ampliam o horizonte do álbum. Paula Lima participa de “Eu Segui”, o trombonista Josiel Konrad imprime sua assinatura em “Aí Tem Coisa”, e o rapper baiano Hiran aparece em “Glória”.
Para Negra Silva, a escolha dos parceiros nasceu da afinidade artística.
“Quando começamos a gravar, tivemos a percepção de que algumas canções se encaixariam com a voz ou o instrumento de artistas com os quais nos identificamos. Para a música em ‘Aí Tem Coisa’, que tem esse groove carioca, pensamos no trombone de Josiel Konrad, que trouxe a identidade musical dos anos 1970 que queríamos para a canção.”
José Junior lembra que a participação de Paula Lima aconteceu de forma espontânea.
“A Paula Lima é um amor antigo. Quando finalmente nos conhecemos pessoalmente, a conexão foi tão natural que ela aceitou o convite antes mesmo de saber qual seria a música. Em ‘Eu Segui’, a Paula trouxe uma emoção muito especial.”
Sobre Hiran, completa: “Depois de ouvirmos o álbum ‘Imundo’, sentimos que ele era a voz certa. Ele nos enviou, em tempo recorde, uma poesia poderosa, com sua voz marcante e inconfundível. Ter esses três artistas em ‘SOU’ é realmente um presente.”
Produzido por Felipe Rodarte, com direção artística de Constança Scofield, e registrado na Toca do Bandido, o trabalho sucede os singles “De Onde Eu Vim”, “Minha Vibe” e “Aí Tem Coisa”.
As faixas transitam entre soul brasileiro, neo soul, R&B, MPB contemporânea e samba, dialogando com nomes como Cassiano, Tim Maia, Sandra Sá, Jorge Ben, Marvin Gaye, Lauryn Hill, Jill Scott, Fela Kuti e Erykah Badu, sem perder de vista uma assinatura autoral.
Para Ge Vieira, o disco retrata o momento vivido pelo grupo.
“Acho que ‘SOU’ não fala exatamente do tempo que passou, e sim do que adquirimos com a passagem dele. O álbum reflete quem somos hoje, principalmente nossa humanidade e nossas contradições. Queremos cantar sobre o que vivemos e observamos num Brasil de muitas nuances.”
José Junior vê o lançamento como consequência de um percurso amadurecido.
“Depois de mais de dez anos de caminhada, nos sentimos mais maduros, mais conscientes das nossas escolhas e mais à vontade com as nossas complexidades. Tudo o que cantamos nasce das nossas vivências, das nossas raízes. É isso que buscamos construir no Soul de Brasileiro: uma música que emocione, represente e conecte as pessoas.”
Com passagens por projetos como o Playing For Change, colaborações com Sandra Sá e Elisa Lucinda e destaque em iniciativas como o Festival Favela e o LabSonica, o Soul de Brasileiro agora se prepara para um dos maiores palcos de sua trajetória.
Em 12 de setembro, o trio sobe ao Espaço Favela, no Rock in Rio, levando ao vivo as canções de “SOU”.
“Esse álbum tem a nossa cara, é fruto da nossa maturidade, da nossa bagagem artística. Estamos prontos pra levar a nossa arte para esse mundão afora”, resume Negra Silva.
