SÃO PAULO — Apenas 26% dos consumidores com mais de 60 anos percebem que há produtos turísticos planejados para seu perfil, segundo pesquisa inédita apresentada nesta terça-feira (11) no IV Expo Fórum de Turismo 60+, em São Paulo. O estudo foi conduzido pela consultoria Data8, com apoio do Ministério do Turismo, e apresentado ao trade durante o evento. A pesquisa ouviu 1.012 pessoas com mais de 60 anos em todas as regiões do país e analisou comportamento, hábitos de consumo e jornada de viagem desse público.
“Hoje a gente está vendo uma população envelhecer com uma vontade enorme de viajar. O mercado está preparado para isso? É isso que a gente está discutindo aqui”, afirmou Cléa Klouri durante a apresentação.
Os dados indicam um público com alto potencial de consumo e frequência de viagens. Entre os entrevistados, 34% gastam ao menos R$ 10 mil por ano em turismo, enquanto 52% realizam três ou mais viagens anuais. Considerando a recorrência, quase 80% fazem mais de duas viagens por ano. A autonomia financeira é predominante, com 96% afirmando custear suas próprias viagens.
O avanço digital também se destaca. Segundo a pesquisa, 48% escolhem destinos por meio de plataformas e aplicativos, enquanto 68% utilizam sites de agências para pesquisa e comparação. Além disso, quase metade já recorre a ferramentas digitais e inteligência artificial no planejamento. Ainda assim, 70% finalizam a compra com algum tipo de apoio, seja de familiares ou agentes, e 16% realizam toda a transação online. Ainda assim, o suporte humano permanece relevante na decisão final. “Eles são muito digitais, mas não abrem mão de apoio e relacionamento na hora de fechar a viagem”, afirmou Adriana Queiroz.
A flexibilidade é outro traço relevante: 87% dizem não ter restrição de datas, o que indica potencial para ocupação em períodos de baixa demanda. Família e amigos lideram a influência na escolha de destinos, com 69%, seguidos por redes sociais e influenciadores, com 15%.
Turismo 60+: autonomia e segurança estão entre os requisitos da viagem

O estudo aponta que o perfil do viajante sênior exige ajustes na estrutura dos produtos turísticos. O público valoriza autonomia, segurança e liberdade, com preferência por roteiros menos rígidos e com espaço para decisões durante a viagem. Essa autonomia aparece como fator central para 61% dos entrevistados. Há diferenças também no consumo de experiências.
Mulheres tendem a buscar atividades culturais e programação estruturada, enquanto homens priorizam descanso. A demanda por serviços agregados também se destaca: 60% contratam seguro viagem, 36% incluem transporte e guia, e 25% adquirem atividades durante o roteiro.
Na escolha de destinos, praias lideram, mas cidades e destinos de natureza ganham relevância entre viajantes mais frequentes. Entre os destinos nacionais citados estão Fernando de Noronha, Gramado e Lençóis Maranhenses. No exterior, Europa, Itália e Portugal aparecem entre os principais interesses.
A pesquisa também aponta gargalos operacionais. Elementos como conforto, acessibilidade, atendimento e clareza de informação são fatores determinantes para esse público, superando atributos considerados secundários.
O cenário demográfico reforça o potencial do segmento. A projeção indica que o Brasil terá 61 milhões de pessoas com mais de 50 anos até 2050, o equivalente a 28% da população. O consumo desse grupo deve crescer de R$ 1,8 trilhão para R$ 3,8 trilhões até 2044, consolidando o turismo 60+ como vetor de crescimento para o setor.
