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Show de Shakira em Copacabana deve reunir 2,5 milhões

Show de Shakira em Copacabana deve reunir 2,5 milhões

O Rio de Janeiro, mais uma vez, dentro do projeto Todo Mundo no Rio, vai receber a cantora colombiana Shakira em show gratuito na praia de Copacabana.

Serão, segundo estimativas da Prefeitura do Rio, 2,5 milhões de pessoas, ou seja, a transformação da orla em uma espécie de cidade efêmera. Serão também milhões de participantes à distância. Tais fatos mostram um Rio como destino global de entretenimento, evidenciando sua capacidade de organizar grandes eventos com empatia e segurança.

São esperados 278 mil turistas nacionais e 32 mil estrangeiros, a maior parte oriunda da América do Sul, que vão movimentar R$ 776 milhões. É uma oportunidade única de transformar Copacabana em um palco de superação de expectativas, no maior já montado na região, com 1.500 m² de área, 56 metros de altura, uma passarela de 25 metros avançando para o público e 16 telões de LED espalhados pela praia.

No entanto, há, a priori, uma grande diferença em relação aos shows anteriores de Madonna e Lady Gaga. Shakira demonstra um carinho especial pelo Rio e pelos fãs. Aproxima-se deles, dá entrevistas em português, enaltece a cidade em artigos e agradece pela possibilidade de realizar o maior show de sua vida. Fico impressionado com tanta gentileza e respeito. Mostra que, muito mais do que uma artista internacional, apresenta-se como um ser humano que vem a um país estrangeiro querendo se aculturar e respeitando nossa diversidade.

Poucos destinos no mundo têm uma movimentação espontânea tão grande, que reúne a população anfitriã e os visitantes. É um abraço com tanto afeto, mas que nos leva a questionar: que legado permanece efetivamente quando as luzes se apagam? É claro que a ocupação hoteleira de quase 100% em Copacabana e 80% na cidade como um todo, além do dinheiro novo no comércio, nos restaurantes e os empregos temporários, devem ser considerados. Eu me pergunto até que ponto o entretenimento dos moradores locais deve ser atrelado a grandes eventos pontuais, e não a políticas culturais contínuas. Celebrar também a música latina é um novo fator que nos aproxima dos hispanofalantes, que tanto nos admiram.

O próximo dia 2 de maio, com mais de 10 mil integrantes das forças de segurança presentes e com os táxis tabelados — algo inusitado —, promete um acontecimento singular: um coro coletivo que festeja a identidade híbrida da cantora, entre o local e o internacional, com uma presença de palco magnética. Mais do que um show, é celebração.

Infelizmente, a morte do trabalhador Gabriel de Jesus Firmino, no dia 26 de abril, durante a montagem do palco — quando ficou preso em um sistema de elevação, sofrendo esmagamento das pernas —, revela os bastidores de um trabalho intenso, técnico e arriscado. A engrenagem voltou a funcionar rapidamente, e talvez nenhuma homenagem seja prestada no dia do megaevento.

Como profissional de turismo e um dos responsáveis pelos Embaixadores de Turismo do RJ, torço pelo sucesso do show. Estou, no entanto, ciente do palco de desigualdades do Rio, que merece sempre reflexões e lutas constantes.


*Bayard do Coutto Boiteux é escritor, pesquisador e professor universitário.



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