Viviane Moura, diretora de serviços de crédito da Serasa Experian – Norte lidera o faturamento médio entre as regiões, com R$ 432 mil, apesar de concentrar apenas 4,8% das empresas analisadas (Reprodução/Linkedin)

O setor de Serviços concentra a maior parcela das empresas brasileiras, mas apresenta faturamento médio abaixo da média geral. É o que revela estudo da Serasa Experian, primeira e maior datatech do país. Segundo o levantamento, 63,1% das empresas analisadas pertencem ao segmento e faturam, em média, R$ 332,7 mil, valor cerca de 17% inferior à média da base, de R$ 402,1 mil.

A diferença fica mais evidente quando o setor é comparado a outros ramos da atividade econômica. O Financeiro, apesar de representar apenas 1,5% das empresas analisadas, apresenta o maior faturamento médio, de R$ 927,2 mil — quase três vezes o registrado por Serviços. Primário e Comércio também ficam acima da média geral, com R$ 582,7 mil e R$ 567,3 mil, respectivamente. Já a Indústria registra média de R$ 389,4 mil e o Terceiro Setor, de R$ 286,7 mil.

O levantamento mostra ainda uma forte concentração de empresas nas menores faixas de faturamento. Ao todo, 63,4% faturam até R$ 300 mil por ano, enquanto 12,1% estão na faixa entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, 13,6% entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão e 10,9% entre R$ 1 milhão e R$ 4,8 milhões.

Setor de serviços reúne 63% das empresas brasileiras, mas fatura 17% abaixo da média de acordo com Serasa Experian

“Estimar o faturamento real das empresas brasileiras ainda é um dos grandes desafios para quem concede crédito, especialmente diante da diversidade de setores e estágios de maturidade que esse estudo evidencia. Entender como as particularidades de cada negócio, como o setor de atuação, impactam no seu faturamento ajuda credores a calibrar suas análises de forma mais precisa. É essa robustez de dados e informações que o novo modelo de Faturamento PJ traz”, explica Viviane Moura, diretora de serviços de crédito da Serasa Experian.

Maturidade, região e score de crédito completam o retrato do faturamento

O tempo de atuação também revela diferenças importantes no faturamento das empresas. Entre os negócios com até seis meses de existência, a média é de R$ 116,9 mil e aumenta progressivamente conforme avança a maturidade empresarial, chegando a R$ 858,5 mil entre aqueles com mais de 20 anos. Na comparação entre os dois extremos, empresas com mais de duas décadas de atuação faturam, em média, mais de sete vezes o registrado pelos negócios mais jovens.

Essa relação também aparece na composição das faixas de faturamento. Entre as empresas que faturam até R$ 60 mil, 37,7% têm até seis meses de existência. Já entre aquelas que faturam de R$ 1 milhão a R$ 4,8 milhões, essa participação cai para 1,1%, enquanto 19,7% possuem mais de 20 anos de atuação.

No recorte regional, o Sudeste concentra mais da metade das empresas analisadas, com 51,4% da base, seguido por Sul (18,8%), Nordeste (16,1%), Centro-Oeste (8,9%) e Norte (4,8%). A maior concentração de empresas, porém, não se traduz no maior faturamento médio. O Norte lidera nesse indicador, com R$ 432 mil, praticamente empatado com o Centro-Oeste, que registra R$ 431,4 mil. O resultado no Norte é influenciado pela maior concentração de Empresas de Pequeno Porte (EPPs) na região em comparação às demais. Na sequência aparecem Sul (R$ 414 mil), Sudeste (R$ 395,9 mil) e Nordeste (R$ 377,1 mil).

Apesar das diferenças no faturamento médio, a participação das regiões permanece relativamente estável entre as diferentes faixas de faturamento. O Sudeste, por exemplo, responde por cerca de metade das empresas em todos os grupos analisados, indicando que a localização geográfica exerce menor diferenciação sobre o perfil de faturamento do que características como setor e maturidade.

O score de crédito também apresenta diferenças conforme o faturamento aumenta. Entre as empresas que faturam até R$ 60 mil, 86,5% possuem score de até 500, enquanto esse percentual cai para 51,8% entre os negócios com faturamento de R$ 1 milhão a R$ 4,8 milhões. Isso significa que a participação de empresas com score superior a 500 passa de 13,5% na menor faixa para 48,2% na maior. Nos scores mais elevados, a diferença é ainda mais expressiva: 2,3% das empresas que faturam até R$ 60 mil possuem score acima de 700, percentual que chega a 25,3% entre aquelas com faturamento de R$ 1 milhão a R$ 4,8 milhões. Assim, a presença de empresas nessa faixa de score é cerca de 11 vezes maior entre os negócios de maior faturamento analisados.

Setor de serviços reúne 63% das empresas brasileiras, mas fatura 17% abaixo da média de acordo com Serasa Experian

Nova solução de Faturamento PJ amplia a leitura com dados da CERC

Setor de serviços reúne 63% das empresas brasileiras, mas fatura 17% abaixo da média de acordo com Serasa Experian
Fátima Pereira, CPO da CERC – (Reprodução/Linkedin)

Os dados fazem parte da nova versão da solução de Faturamento PJ da Serasa Experian, que passa a incorporar informações da CERC (Central de Recebíveis) em seu modelo. Ao cruzar o faturamento estimado com o histórico de recebíveis das empresas, a solução amplia a leitura do modelo, completando uma base de dados robusta e multidimensional que inclui dados do sócio, base salarial da empresa, dados de cadastro positivo PJ, entre outros. Com isso, passa a oferecer aos credores uma avaliação mais completa do porte e do risco de crédito de cada negócio.

“A CERC tem acesso, em tempo real, e com uma granularidade inédita, a dados detalhados sobre as transações comerciais das empresas. Ao incorporar essas informações ao modelo, ampliamos a capacidade de compreender o perfil de cada negócio e geramos insights mais precisos para apoiar decisões de crédito”, afirma Fátima Pereira, CPO da CERC.

Na avaliação da Serasa Experian, essa ampliação da base de dados permite uma análise mais aderente à realidade das empresas. “A entrada dos dados da CERC na nossa solução de Faturamento PJ nos permite enxergar com mais profundidade a real capacidade financeira das empresas, principalmente olhando para as pequenas e médias empresas, e indo além do que está registrado formalmente. Isso torna a análise de crédito mais precisa e aderente à realidade do negócio, e a concessão de crédito PJ mais assertiva”, conclui Viviane Moura.

Metodologia

O estudo foi elaborado a partir da solução de Faturamento Estimado, da Serasa Experian, considerando empresas ativas na Receita Federal. A análise contempla 27,7 milhões de empresas e, para este estudo, foram considerados negócios com faturamento estimado de até R$ 4,8 milhões por ano, faixa que contempla os limites de faturamento de Microempreendedores Individuais (MEIs), Microempresas (MEs) e Empresas de Pequeno Porte (EPPs). O recorte permite avaliar a distribuição e o comportamento do faturamento empresarial sob diferentes perspectivas, como setor de atuação, região, tempo de existência e score de crédito.

Para garantir maior consistência às análises, foram consideradas empresas com informações disponíveis e elegíveis de acordo com os critérios definidos para o estudo. Os resultados foram consolidados de forma agregada, possibilitando a identificação de padrões, diferenças e tendências entre os grupos analisados, sem a individualização das empresas que compõem a amostra.

As estimativas apresentadas refletem as informações e os modelos disponíveis no período de referência do estudo e, portanto, devem ser interpretadas como indicadores do comportamento do faturamento das empresas analisadas, e não como valores de faturamento declarado.