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Setor aéreo propõe divisão de custos por passageiros barrados em aeroportos

Setor aéreo propõe divisão de custos por passageiros barrados em aeroportos

IATA defende equilíbrio na divisão de custos de passageiros barrados em aeroportos. Relatório aponta falta de transparência e variação de regras

A Associação do Transporte Aéreo Internacional (IATA) defendeu nesta sexta-feira (30), uma distribuição mais equilibrada de responsabilidades e custos entre governos e companhias aéreas em casos de passageiros barrados no destino final.

A entidade afirma que, embora as empresas aéreas tenham papel relevante na verificação de documentos antes do embarque, nem toda recusa de entrada pode ser evitada pelas transportadoras.

De acordo com a associação, negativas de admissão podem ocorrer por fatores fora do controle razoável das aéreas, como ausência de informações completas, fraudes complexas, mudanças nas tendências migratórias e decisões de imigração ou segurança.

Pela norma acordada por governos via Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO), as companhias respondem por custos de custódia e assistência quando a recusa decorre de documentação inadequada. Um novo levantamento da IATA, no entanto, indica falta de transparência governamental sobre os motivos das negativas e defende melhor alocação de responsabilidades.

Falhas de informação pré-embarque

O relatório foi elaborado a partir de pesquisa com 49 companhias aéreas e 22 autoridades de controle de fronteira. Segundo o estudo, a maioria das empresas estima que erros de documentação e de processamento respondem por 20% a 30% dos casos de passageiros inadmissíveis.

A IATA também aponta lacuna informacional na etapa que antecede o embarque. Para a entidade, a ampliação do uso de ferramentas como Interactive Advance Passenger Information (iAPI), verificação digital, suporte de Immigration Liaison Officers e canais de escalonamento em tempo real pode antecipar a identificação de situações de inadmissibilidade.

Falta de transparência

Das 49 empresas ouvidas, quarenta relataram situações em que autoridades de imigração não informaram o motivo da recusa de entrada. Nesses cenários, as companhias precisaram gerenciar a remoção do passageiro sem conhecer a fundamentação da decisão.

“Apesar da checagem de documentos pelas companhias aéreas, alguns viajantes têm a entrada recusada em seu destino. Isso pode resultar em custos significativos para as companhias, incluindo multas”, disse Nick Careen, Vice-Presidente de Operações e de Segurança da IATA.

Repasse de custos

Pelas regras da ICAO, custos de custódia e assistência são atribuídos às companhias aéreas quando há falha documental, enquanto cabem aos governos quando a recusa ocorre por outros motivos. Ainda assim, as transportadoras relataram ter arcado com pelo menos parte dos custos que deveriam ser assumidos por governos em mais de 90% dos casos.

O levantamento aponta ainda ampla variação de regras nacionais, com diferenças em responsabilidades, serviços prestados, prazos de remoção e penalidades, inclusive entre aeroportos de um mesmo país.

Impactos operacionais e financeiros

Casos de passageiros barrados geram atrasos, necessidade de reacomodação, impactos em aeronave e tripulação, exigência de escolta e coordenação prolongada entre companhias e autoridades. Todas as empresas consultadas disseram ter enfrentado atrasos operacionais relacionados a esses casos.

Os custos médios por passageiro variaram de cerca de US$ 4.000 no Norte da Ásia a US$ 14.000 na Europa. Em um dos exemplos citados, uma empresa participante informou cobrança de quase 60.000 euros, equivalente a 300 euros por dia durante seis meses, para custódia enquanto um passageiro inadmissível permanecia sob custódia governamental aguardando cooperação da embaixada correspondente.

Para a IATA, os governos deveriam tornar as responsabilidades mais transparentes, ter penalidades proporcionais, ter transparência nos motivos, fortalecimento na prevenção e coordenação nas deportações.





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