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Setor aéreo amplia investimento em TI, mas falta de integração reduz eficiência

Setor aéreo amplia investimento em TI, mas falta de integração reduz eficiência

Relatório indica que fragmentação de dados compromete ganhos operacionais, mesmo com avanço em IA, cibersegurança e digitalização

A indústria global de transporte aéreo investiu US$ 50,8 bilhões (R$ 253,6 bilhões) em tecnologia da informação em 2025, segundo o relatório Air Transport IT Insights 2025, da SITA.

Apesar do volume recorde, a falta de integração e compartilhamento de dados entre sistemas e parceiros continua a limitar os resultados operacionais e financeiros desses investimentos.

Companhias aéreas e aeroportos elevaram seus aportes em tecnologia em 2025. As empresas aéreas destinaram US$ 36 bilhões, equivalentes a 3,6% da receita, enquanto aeroportos investiram US$ 14,8 bilhões, o que representa 7,3% da receita — acima dos 6,4% registrados no ano anterior.

A priorização de decisões baseadas em dados é um vetor comum: 83% das companhias aéreas e 89% dos aeroportos classificam esse fator como estratégico, indicando avanço na digitalização das operações e na busca por maior resiliência operacional.

Américas lideram

Nas Américas, 65% dos aeroportos aumentaram seus investimentos em TI em 2025, superando os 57% das companhias aéreas — única região onde aeroportos lideram essa expansão.

A inteligência artificial (IA) aparece como prioridade: todas as companhias aéreas da região planejam investir em ferramentas de IA nos próximos dois anos, enquanto 73% dos aeroportos indicam o mesmo direcionamento.

Adoção de plataformas de dados limitada

Apesar do avanço nos investimentos, a adoção de plataformas integradas de dados permanece parcial. Apenas 50% dos aeroportos possuem esse tipo de solução implementada, e 20% não planejam adotá-la antes de 2027.

O compartilhamento de dados entre parceiros também é restrito: ocorre em 31% das companhias aéreas e 49% dos aeroportos. Essa fragmentação impacta diretamente a eficiência operacional e o potencial de tecnologias como IA.

Necessidade de integração

Com operações frequentemente próximas da capacidade máxima, interrupções geram impacto direto na receita. Segundo a IATA, atrasos de voos representam perdas estimadas em US$ 30 bilhões para o setor.

Como resposta, 46% das companhias aéreas estão atualizando sistemas de operações de voo para garantir dados consistentes e acessíveis em tempo real entre áreas como tripulação, aeronaves e passageiros. O objetivo é permitir intervenções antecipadas e evitar efeitos em cascata.

Ainda assim, 49% das empresas apontam a integração e consistência de dados como principal barreira para alcançar esse nível de eficiência.

Dependência de dados coordenados

A aplicação de inteligência artificial evolui no setor, especialmente no controle operacional. Atualmente, 63% das companhias aéreas utilizam IA para gerenciar interrupções, alocação de aeronaves e disponibilidade de tripulação de forma integrada.

Além disso, 69% indicam a IA generativa e modelos de linguagem como principal prioridade de investimento nos próximos doze meses.

No entanto, o uso de IA em operações que dependem de múltiplas fontes de dados ainda é limitado. Apenas 17% das companhias utilizam IA para monitorar atividades de turnaround em tempo real, enquanto nos aeroportos esse índice atinge 53%, acima dos 36% registrados em 2024.

Cibersegurança e o protagonismo

O aumento da conectividade entre sistemas amplia a superfície de risco cibernético. Nos aeroportos das Américas, 67% classificam a cibersegurança como principal prioridade em TI, e 68% a apontam como principal motivador de investimentos em infraestrutura.

Como resposta, 64% dos aeroportos já utilizam IA para detecção de anomalias e redução do tempo de resposta a incidentes, ante 51% em 2024.

Identidade digital e biometria

A adoção de identidades digitais emitidas por companhias aéreas e aeroportos está em expansão. O percentual de companhias que planejam utilizar essa tecnologia saltou de 32% em 2024 para 64% em 2025.

Nos aeroportos, o controle biométrico de fronteiras está presente em 54% das operações e deve alcançar 83% até 2028.

A efetividade dessas soluções depende da interoperabilidade: 57% das companhias aéreas apontam a cooperação com aeroportos como requisito essencial para escalar esses sistemas.

Sustentabilidade

Os dados de sustentabilidade indicam maior avanço em iniciativas sob controle direto de operadores:

  • 83% das companhias aéreas estão renovando frotas
  • 67% utilizam combustível sustentável em rotas específicas
  • 75% dos aeroportos monitoram consumo energético

Por outro lado, soluções que dependem de compartilhamento amplo de dados, como rastreamento completo de emissões, permanecem abaixo de 20%.

Coordenação de dados como fator crítico

O relatório identifica um padrão transversal: avanços são mais rápidos em áreas com controle centralizado de dados, enquanto iniciativas dependentes de integração entre múltiplos atores enfrentam limitações.





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