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Série “Afiadas” combina humor e depoimentos reais com talento e originalidade na TV Brasil

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Logo na abertura, com a trilha de “O Guarani”, de Carlos Gomes, a série “Afiadas”, mostra que busca a subversão. A música, celebrizada pela “Hora do Brasil”, ganhou um estigma governamental e para muitos era a senha para desligar o rádio.


Longe da política

A série da TV Brasil, no entanto, decidiu encarar e desafiar essa associação. Embora seja exibido em um canal do Governo, logo após a música, quem aparece falando são pessoas comuns entrevistadas na rua falando de problemas que afligem principalmente as mulheres. Nada de deputados, senadores ou membros do executivo que falam na “Hora do Brasil”.

Essa parte de reportagem ocorre no caminho da Adrielly (Pretha Sousa), no caminho entre sua casa, na periferia de Brasília, até o Salão Afiada’s onde trabalha e que serve de palco para a parte ficcional, que é encabeçada por Heloísa Périssé, que faz o papel de Dona Márcia, dona do estabelecimento.

Ali trabalham ainda Jéssika (Verônica Debom) e Samantha (Carol Portes). Ali se passam os esquetes cômicos, mas sempre com um pé na crítica política e social de forma leve. Dona Márcia assume o papel – e o discurso – típico de pequenos empresários, que acham que fazem um favor ao ter empregados.

Salão de beleza

como palco


Todo este entorno é um pretexto para que o salão receba convidadas que possam oferecer ideias e discursos relevantes. No salão, foram recebidas mulheres que ocupam posições relevantes de liderança para dar depoimentos breves e suscintos, sem descambar para o didatismo.

Passaram por lá no primeiro episódio figuras como Ana Fontes, fundadora do Instituto Rede Mulher Empreendedora, Raquel Virgínia, CEO da Nhai, uma agência focada em diversidade, a jurista Lázara Carvalho, especializada em questões étnico-raciais, e Daiane dos Santos, ex-ginasta que hoje é palestrante e usa exemplos do esporte para discutir a superação de barreiras de gênero e raça.



Pluralidade bem sintetizada

O mais importante em “Afiadas” é que consegue juntar esses diversos elementos em um episódio com pouco mais de 20 minutos de duração, com um certo grau de aprofundamento, sem ser enfadonho.


A produção, da O2 é bem acabada e as intervenções que combinam simpatia e deboche de Heloísa Périssé torna os temas mais palatáveis. Apenas a inserção da imagem de uma tradutora para libras atrapalha um pouco – poderia simplesmente ter legendas.

A série da TV Brasil que terá oito episódios inicialmente, buscou um formato híbrido bastante inusitado. Além da originalidade do conceito do roteiro, é interessante o fato de usar como ponto de encontra um salão de beleza, um local encarado, principalmente pela ala masculina, como um antro de vaidades e futilidades. “Afiadas” surpreende positivamente na forma e no conteúdo.

SERVIÇO

“Afiadas” – TV Brasil, sextas-feiras, às 23 h. Disponível no Youtube e no app TV Brasil Play.

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Fonte

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