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Se você amou o clássico Harold & Maude, vai amar essa comédia estranha e delicada na HBO Max

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Em “Entre os Templos”, Nathan Silver acompanha Ben Gottlieb (Jason Schwartzman), um cantor de sinagoga que atravessa uma crise que vai além do luto. Desde a morte repentina da esposa, uma escritora, Ben sente que perdeu algo essencial: a voz, a fé e a capacidade de ocupar seu lugar dentro da própria comunidade. Ele continua aparecendo nos compromissos religiosos, mas tudo soa mecânico, como se estivesse apenas cumprindo tabela para não decepcionar o rabino, a congregação e as duas mães que orbitam sua vida adulta.

A rotina de Ben muda quando Carla Kessler (Carol Kane), sua antiga professora de música, reaparece com um pedido improvável: ela quer fazer seu bat mitzvah, mesmo já sendo uma mulher idosa. O pedido o pega desprevenido. Ben hesita, não por falta de conhecimento, mas porque aceitar significa voltar a ensinar, orientar e se envolver emocionalmente em um momento em que ele mal consegue sustentar a própria fé. Ainda assim, ele cede, e essa decisão desloca sua posição confortável de homem em luto silencioso para alguém novamente exposto ao contato humano.

Carla é direta, espirituosa e pouco interessada em seguir rituais sem questionar. Carol Kane transforma a personagem em um motor constante de atrito e humor, alguém que aprende, mas também provoca. Ao se colocar como aluna, Carla desmonta hierarquias que Ben estava acostumado a ocupar com naturalidade. Cada encontro entre os dois testa a autoridade dele como cantor e educador, e também sua paciência, já bastante fragilizada pela dor recente.

Dentro de casa, Ben também enfrenta pressão. Sua mãe Judith (Dolly de Leon) observa com desconfiança essa relação inesperada e tenta, à sua maneira, empurrar o filho de volta para uma vida “normal”. O apoio vem misturado com cobrança, e isso cria mais um obstáculo: Ben não sabe se está sendo ajudado ou apenas vigiado. A sensação constante é a de estar em dívida com todos, enquanto tenta entender o que ainda consegue oferecer.

A comédia do filme nasce justamente desse desconforto. Nathan Silver aposta em situações cotidianas que saem do eixo, conversas atravessadas e encontros que começam mal e terminam ainda mais estranhos. O humor nunca anula a dor de Ben, mas cria pequenas frestas por onde ele pode respirar. Jason Schwartzman trabalha esse equilíbrio com precisão, fazendo de Ben um personagem contido, irônico e visivelmente cansado, sem nunca transformá-lo em caricatura.

À medida que o preparo para o bat mitzvah avança, a relação entre professor e aluna se transforma em algo mais horizontal. Carla não aparece como uma figura salvadora, mas como alguém que também carrega frustrações e desejos antigos. Essa troca dá ao filme um ritmo curioso: nada acontece de forma grandiosa, mas cada avanço tem peso real sobre os personagens, especialmente sobre Ben, que começa a se ouvir novamente.

“Entre os Templos” é uma comédia delicada sobre perda, fé e reconexão, interessada menos em respostas espirituais e mais em gestos práticos de aproximação. Sem pressa e sem discursos edificantes, o filme observa como vínculos improváveis podem reorganizar uma vida que parecia travada. O filme deixa não uma lição, mas a sensação de que, às vezes, voltar a ensinar alguém é o primeiro passo para aprender a continuar.

Filme:
Entre os Templos

Diretor:

Nathan Silver

Ano:
2024

Gênero:
Comédia

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

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