O ator e comediante britânico Russell Brand, de 51 anos, pode ser condenado a uma pena de seis a nove anos de prisão após ser considerado culpado de estupro e três agressões sexuais pela Justiça do Reino Unido. A estimativa foi apresentada por Kirsty Brimelow, presidente do Conselho da Ordem dos Advogados da Inglaterra e do País de Gales, em entrevista à emissora britânica Sky News. A sentença será anunciada na próxima segunda-feira (9).
A estimativa leva em conta as diretrizes de aplicação de penas da Justiça britânica, mas ainda não representa uma decisão do tribunal. Na última quinta-feira (5), após o júri considerar Brand culpado de quatro crimes sexuais, o juiz Bennathan, responsável pelo julgamento, advertiu que o ator enfrentaria um “período significativo” de prisão. O magistrado também rejeitou o pedido de liberdade sob fiança apresentado pela defesa, determinando que o artista permanecesse detido até a definição da pena.
O julgamento ocorreu no Tribunal da Coroa de Southwark, em Londres, e examinou denúncias apresentadas por seis mulheres, relacionadas a episódios ocorridos entre 1999 e 2009, período em que Brand consolidou sua carreira na televisão britânica e conquistou espaço em Hollywood. O júri o considerou culpado de um estupro e três agressões sexuais, mas o absolveu de outras duas acusações de estupro e de uma tentativa de atentado ao pudor. O ator negou ter mantido relações sexuais sem consentimento.
Entre os crimes pelos quais foi condenado está o estupro de uma mulher que conheceu após uma apresentação em Londres, em 2009. Segundo o relato da vítima, o abuso ocorreu na residência do artista, durante um encontro que havia começado de maneira consensual. As demais condenações envolvem agressões sexuais cometidas contra três mulheres em diferentes circunstâncias, entre 2004 e 2009.
Em declarações à Sky News, o detetive Andy Furphy, que supervisionou a investigação da Polícia Metropolitana de Londres, afirmou acreditar que Brand continua representando uma ameaça às mulheres. O investigador apontou a “posição de poder e confiança” desfrutada pelo artista, além da “influência exercida sobre milhões de seguidores nas redes sociais”, como fatores que ainda oferecem riscos.
A condenação também não encerra as investigações sobre o ex-marido da cantora Katy Perry. De acordo com o jornal britânico “The Guardian”, a polícia apura outras duas denúncias de estupro contra Brand, cujos casos já foram encaminhados ao Ministério Público para análise. Essas suspeitas são independentes dos crimes examinados no julgamento encerrado nesta semana.
Como começaram as denúncias contra Russell Brand?
As acusações que levaram Brand ao tribunal ganharam repercussão em setembro de 2023, quando uma investigação conjunta dos jornais britânicos “The Times” e “The Sunday Times” e do programa “Dispatches”, da emissora Channel 4, reuniu relatos de mulheres que denunciavam comportamentos abusivos e episódios de violência sexual envolvendo o artista.
As revelações provocaram uma investigação policial que se estendeu por mais de três anos. Durante o julgamento, a promotoria descreveu Brand como um “predador sexual calculista”, que teria se aproveitado da fama e de sua influência para se aproximar das vítimas. A defesa, por sua vez, contestou as acusações e sustentou que os encontros sexuais mencionados no processo haviam sido consensuais.
Conhecido inicialmente por seu trabalho como comediante e apresentador de televisão, Brand alcançou projeção internacional com filmes como “Ressaca de amor” (2008), “O pior trabalho do mundo” (2010) e “Arthur, o milionário sedutor” (2011). O artista também ganhou notoriedade pelo casamento com Katy Perry, entre 2010 e 2012.
Nos últimos anos, afastado das grandes produções de Hollywood, passou a se dedicar à criação de conteúdo para a internet, com comentários sobre política, religião e teorias conspiratórias. Mesmo após a divulgação das denúncias, manteve uma audiência de milhões de seguidores nas plataformas digitais.
