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Renato Góes entra como Heitor em “Quem Ama Cuida” e vira a trama do avesso

Renato Góes entra como Heitor em “Quem Ama Cuida” e vira a trama do avesso


Entrar numa novela que já está no ar exige do ator um exercício diferente: mais do que conhecer um personagem, é preciso encontrar espaço dentro de uma história que já tem ritmo, relações estabelecidas e uma equipe afinada.

Para Renato Góes, que chega a “Quem Ama Cuida” como Heitor, filho perdido de Arthur Brandão, o desafio começa justamente por aí. “Entrar numa novela que já está rolando é quase como chegar numa festa depois que todo mundo já se conhece. As relações já existem, os personagens já têm uma história, a equipe já tem um ritmo”, compara.




Na construção de Heitor, Renato também procurou escapar da imagem mais previsível que poderia surgir a partir da trajetória do personagem. Depois de abrir mão de uma vida confortável para viajar pelo mundo e viver com pouco, ele poderia facilmente cair numa representação excessivamente contemplativa.

O ator preferiu outro caminho, apostando em alguém leve, curioso e com senso de humor. “Interpretei vários personagens em que os conflitos estavam muito para fora. Já no caso do Heitor, me parece que o mais interessante está justamente no que ele escolhe não mostrar”, explica.

P – O que você procurou descobrir primeiro sobre o Heitor antes de começar a gravá-lo?

R – A primeira coisa que eu fiz foi tentar fugir de uma leitura óbvia. Porque quando você lê que ele largou tudo, peregrinou pelo mundo, passou em lugares como China, Índia, Nepal e viveu com pouco por todos esses anos, imediatamente existe o risco de você associar e construir aquele personagem como muito contemplativo, quase um guru (risos). E eu não queria isso. Para mim é menos “Na Natureza Selvagem” e mais “Antes do Amanhecer”.

P – Você sente que interpretar alguém assim, que observa mais do que explica, exige um tipo diferente de preparação?

R – Acho que me traz um desafio muito grande porque ele não é um personagem que pede virtudes, ele pede presença. Eu interpretei vários personagens em que os conflitos estavam muito para fora, eles eram muito evidentes. Já no caso do Heitor, me parece que o mais interessante está justamente no que ele escolhe não mostrar. Então é um trabalho muito baseado em presença, escuta e naquilo que acontece por baixo da cena.

P – E como foi acompanhar a novela antes de entrar efetivamente na história?

R – Foi bom demais! Eu estava super ansioso, não perdi nenhum capítulo. E tem uma coisa engraçada, porque entrar numa novela que já está rolando é quase como chegar numa festa depois que todo mundo já se conhece.

P – De que forma?

R – As relações já existem, os personagens já têm uma história, a equipe já tem um ritmo. Mas fui recebido com um carinho enorme.

P – O fato de você já ter acompanhado a novela mudou a maneira como chegou aos colegas de elenco?

R – Eu estava acompanhando, claro, e quando você sabe que vai entrar numa história acaba assistindo de um jeito diferente, né? Você começa a olhar pra aquelas pessoas tentando entender não só a história, mas principalmente as relações que o seu personagem vai encontrar quando chegar na festa. Isso ajuda a chegar mais preparado para o encontro com aquele universo que já está acontecendo.

P – O que mais interessa você no Heitor?

R – É mesmo essa coragem de abrir mão de uma vida que estava praticamente pronta, escrita para ele. Ele diz não a muita coisa para buscar uma vida que valesse a pena de verdade. Isso é muito bonito. Porém, acho que vamos lidar com consequências gigantes.

P – Como assim?

Acho que essa escolha teve uma consequência gigante para as pessoas que ficaram, principalmente para o pai dele. Então o personagem vai falar muito sobre liberdade, mas também sobre responsabilidade. Até onde a gente pode escolher os nossos caminhos e decidir a nossa vida, sem se preocupar ou avaliar, sei lá, o impacto no outro? Acho que essa pergunta está muito presente nele, e para mim isso é legal demais.


“Quem Ama Cuida” – Globo – Segunda a sábado, às 21h30.


Mergulho no mistério

A chegada de Heitor promete mexer com as relações e os mistérios que movimentam a trama de “Quem Ama Cuida”. Renato Góes, no entanto, prefere manter o suspense quando o assunto é o papel do personagem nesse novo momento da história e, principalmente, quando a conversa chega ao grande mistério envolvendo Arthur.


“Não teria como falar muito da importância do Heitor para a trama sem dar spoilers. Só posso dizer que a chegada dele mexe no tabuleiro inteiro. Agora… quem matou Arthur? (risos). Isso aí é perigosíssimo para se fazer justamente para mim. Eu tenho meus suspeitos. Mas vou guardar para mim, porque qualquer nome que eu falar agora vocês vão achar que eu sei de alguma coisa. E talvez eu saiba (risos)”, desconversa.


Sustentável leveza

A construção de Heitor também passa por fugir de expectativas mais óbvias para um personagem com uma trajetória marcada por acontecimentos importantes. Em vez de carregar uma postura misteriosa ou amargurada, ele chega à história com leveza, humor e uma curiosidade genuína sobre as pessoas e sobre a vida.

Para Renato Góes, essa característica também determina a maneira como o personagem ocupa as cenas, muito mais interessado em escutar do que em oferecer respostas prontas.


“Talvez seja justamente o fato dele não chegar com a energia que as pessoas esperam para alguém com a história dele. Ele não é um homem misterioso ou amargo, ele é um cara leve, que tem humor e muita curiosidade sobre a vida. Eu acho que ele nunca entra numa conversa trazendo boas respostas, acho que ele é o cara que valoriza o ouvir e vai sempre trazer boas perguntas”, afirma.


Instantâneas

# Ainda em 2026, Renato poderá ser visto no longa “O Homem de Ouro”.

# Renato já namorou as atrizes Emanuelle Araújo e Tatá Werneck e há sete anos é casado com a atriz Thaila Ayala.

# O ator cursou teatro na Escola SESC de Teatro em sua cidade natal, Recife/PE.

# Renato estreou na tevê em 2006, quando fez uma pequena participação em “Pé na Jaca”, da Globo. Seu primeiro personagem foi Raimundo, de “Água na Boca”, da Band, em 2008.

A menção dos créditos é obrigatória.


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