Em entrevista ao DIÁRIO DO TURISMO, o superintendente do Sebrae/ES, Pedro Rigo, detalha como a regionalização do turismo vem sendo o principal eixo estratégico para consolidar o Espírito Santo como destino competitivo no cenário nacional. A partir de investimentos robustos, crescimento expressivo no número de empresas do setor e uma atuação integrada entre governo, entidades e trade turístico, o estado avança na estruturação de produtos, profissionalização de pequenos negócios e criação de experiências organizadas, ampliando o tempo de permanência dos visitantes e fortalecendo a economia regional.
Por Alexandra Mato – De Vitória (ES), especial para o DIÁRIO*
Em meio ao reposicionamento do turismo brasileiro, o Espírito Santo começa a se consolidar não apenas pelo potencial natural e cultural, mas pela organização e maturidade de sua oferta. Esse movimento ganhou visibilidade nacional na última semana de abril com a realização do ESTour, que reuniu mais de 500 agentes de viagem de todo o país, 22 operadoras e representantes internacionais em uma imersão estruturada pelo estado.
Em entrevista ao DT, o superintendente do Sebrae/ES, Pedro Rigo, reforçou a estratégica articulação entre Governo do Estado, Sebrae/ES, Conselho Estadual de Turismo do Espírito Santo (Contures), CET, Fecomércio-ES e o trade turístico, que estão transformando o potencial capixaba em resultados concretos de mercado.
Regionalização do turismo no Espírito Santo amplia experiências e integração
Com a intenção clara de alcançar um novo patamar no cenário turístico nacional, o estado comemora os dados consolidados pelo Sebrae/ES que mostram que o setor vive um ciclo de expansão impulsionado por investimentos de R$ 52,6 milhões entre 2024 e 2025, realizados em parceria com diferentes instituições.O número de negócios ligados ao turismo também saltou de 59 mil para mais de 74 mil empresas em apenas dois anos, um crescimento de 25,77%.
“O que vemos hoje é o resultado de um planejamento rigoroso e de uma presença constante nas regiões turísticas. Não só fomentamos a abertura de empresas, mas garantimos acesso a crédito. Mais de R$ 11 milhões foram viabilizados via Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas, O Fampe atua como avalista complementar para MEIs e microempresas, ampliando o acesso ao sistema financeiro. Em 2025, o volume de crédito destinado ao turismo alcançou R$ 11.173.884,75, com ticket médio de R$ 360.480,31 por operação.”, afirmou Rigo
“Não basta divulgar o destino. O que estamos fazendo é estruturar a base do turismo, organizando a cadeia produtiva, profissionalizando os pequenos negócios e transformando experiências em produtos comercializáveis”, diz.
“O grande diferencial do Espírito Santo está no pequeno e médio empreendedor, mas ele precisa estar preparado. Quando sai do improviso e passa a trabalhar com gestão, padrão e qualidade, o destino ganha competitividade.”

Com base nessa lógica, o estado vem estruturando roteiros integrados que conectam litoral, montanhas e interior, ampliando o tempo de permanência do visitante e distribuindo melhor o impacto econômico.
“A gente trabalha para conectar hospedagem, gastronomia, experiências e território. Quando isso funciona de forma integrada, o turista permanece mais tempo e o resultado se espalha por toda a cadeia.”
Esse avanço também se reflete na evolução do portfólio turístico, que passou de 78 para 208 experiências organizadas, consolidando a estratégia de transformar vivências locais em produtos estruturados.
Regionalização do turismo no Espírito Santo fortalece competitividade
“O Espírito Santo já está estruturado. O desafio agora é aumentar o fluxo sem perder qualidade, autenticidade e sem comprometer a experiência.”
Segundo Rigo, esse equilíbrio será determinante para consolidar o destino no longo prazo.
“O que o Sebrae constrói não é só promoção. É capacidade instalada. É garantir que, quando o turista chegar, encontre um produto pronto, organizado e competitivo.”
Hoje, o turismo já representa cerca de 8% do PIB estadual, consolidando-se como um dos principais vetores de desenvolvimento econômico regional.
“A lógica é preparar o estado para atender a uma demanda cada vez mais exigente. Turismo não se sustenta só com potencial, precisa de entrega. E entrega significa serviço qualificado, integração entre os atores locais e uma narrativa clara do destino para converter visibilidade em permanência e fluxo em resultado econômico para toda a cadeia” finalizou o superintendente do Sebrae ES.
*A jornalista Alexandra Mato viajou a convite do Sebrae ES
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