Primeiro caça Gripen E produzido no Brasil pela Embraer realizou voo inaugural em Gavião Peixoto antes dos testes de aceitação e entrega à FAB
O primeiro caça Gripen E produzido no Brasil pela Embraer realizou nesta quarta-feira (7), o voo inaugural a partir da unidade da empresa em Gavião Peixoto/SP.
A aeronave foi submetida a uma missão de testes destinada a verificar o funcionamento dos principais sistemas e validar suas características de voo, dando início à campanha de ensaios de produção e aceitação antes da entrega à Força Aérea Brasileira (FAB).
O voo foi realizado por um piloto de testes da Saab e contou com a participação da Embraer na preparação e execução da atividade. Os dados obtidos serão utilizados nas etapas seguintes dos ensaios necessários para a aceitação da aeronave.
A aeronave é a primeira das quinze unidades do Gripen E previstas para fabricação no Brasil dentro do contrato atualmente em vigor. A montagem final foi concluída pela Embraer em Gavião Peixoto, onde a aeronave foi apresentada oficialmente no fim de março.
A unidade paulista abriga a única linha de produção do Gripen localizada fora da Suécia e integra a estrutura internacional de fabricação e fornecimento da Saab para o programa.
A conclusão do primeiro voo de um Gripen E produzido no país representa uma nova etapa na nacionalização das atividades de fabricação, integração e testes do caça.
Transferência de tecnologia
A produção brasileira faz parte de uma estratégia estruturada pela FAB e pela Saab para ampliar a participação da indústria nacional no programa Gripen. Desde o início da iniciativa, engenheiros, técnicos e especialistas brasileiros passaram a atuar com equipes suecas em atividades de desenvolvimento, engenharia, fabricação, integração e ensaios em voo.
Segundo a Embraer, o processo permitiu transformar a transferência de tecnologia em competências industriais instaladas no Brasil, abrangendo diferentes etapas do ciclo de produção de uma aeronave de combate.
Próximas etapas
Depois da campanha de voos de aceitação de produção, o Gripen E deverá ser certificado como aeronavegável e liberado para entrega à FAB.
Na sequência, a aeronave será transferida para a Base Aérea de Anápolis/GO, onde deverá integrar o 1º Grupo de Defesa Aérea (1º GDA), unidade responsável pela operação dos caças Gripen E atualmente incorporados à Força Aérea Brasileira.
Contrato com a FAB
O contrato firmado pelo governo brasileiro em 2014 prevê 36 caças Gripen para a FAB. O lote é composto por 28 unidades Gripen E, de configuração monoposto, e oito Gripen F, de configuração biposto.
As primeiras entregas ocorreram em 2020. Até o momento, dez aeronaves foram entregues à Força Aérea Brasileira.
O programa também estabeleceu uma ampla estrutura de cooperação industrial e transferência de tecnologia entre Brasil e Suécia, com participação de profissionais brasileiros em diferentes fases do desenvolvimento e produção do caça.
Possível produção de novas unidades
A capacidade industrial instalada em Gavião Peixoto também poderá ser ampliada. Em julho, Embraer e Saab anunciaram um memorando de entendimentos (Heads of Agreement, ou HoA) para estabelecer as bases de uma expansão da cooperação entre as duas empresas.
O acordo prevê negociações para possíveis novos contratos, incluindo a produção de vinte caças Gripen adicionais no Brasil, com possibilidade de expansão posterior. As aeronaves seriam montadas na unidade da Embraer em Gavião Peixoto para atender tanto ao mercado brasileiro quanto a eventuais oportunidades internacionais.
Caso os planos avancem, a produção brasileira poderá complementar a linha de montagem final do Gripen mantida pela Saab em Linköping, na Suécia. A estrutura ampliaria a capacidade industrial disponível para atender futuras encomendas do caça.
