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Pouca gente percebeu, mas o Prime Video esconde um dos filmes mais eletrizantes de Michael Mann

Pouca gente percebeu, mas o Prime Video esconde um dos filmes mais eletrizantes de Michael Mann

Michael Mann sabe como poucos juntar ação, suspense, romance e dilemas existenciais com o requinte de hábito, o que dá numa história fluida, envolvente e cheia de gratas surpresas, como ver uma legítima criatura do submundo de Chicago tentar redimir-se, fechando os olhos a um mandamento básico em seu ofício. É o que há em muito de “Profissão: Ladrão”, uma história cujo teor absurdo deixa claro tratar-se de um episódio da vida como ela é. A adaptação de Mann para “The Home Invaders: Confessions of a Cat Burglar” (“os invasores de casas: confissões de um gatuno”, em tradução livre; 1975), capta o espírito aventureiro e autodestrutivo de Frank Hohimer, um dos assaltantes mais temidos da América durante os anos 1960. Em 20 de dezembro de 1969, Hohimer foi preso em Greenwich, Connecticut, com a ajuda de cidadãos que não aguentavam mais suas façanhas criminosas. Essa foi a deixa para a verdadeira metamorfose pela qual o bandido ansiava — em que pese sua vontade de refazer-se cobrar um preço alto demais.

Profissão: perigo

Frank esteve na prisão por onze anos, saiu há quatro, mas continua a ganhar a vida como arrombador de cofres, o melhor do mercado. Para consegui-lo, ele restringiu namoros e amizades, e mesmo seus contatos na profissão são escolhidos com excessiva prudência, porque cuidado pode ser a diferença entre a liberdade e mais uma temporada na cadeia, ou entre viver e morrer. Uma de suas raras ligações é com Okla, malfeitor habilidoso que estará na rua em dez meses, mas teme não resistir à angina. Mann vai dando ao espectador subsídio para decifrar o que eles pretendem, ao passo que também incluindo no leito da narrativa figuras como Barry, um velho parceiro de vigarices, e Jessie, a garota que Frank namoraria, se não continuasse tão amarrado a seus esquemas. Todos eles são satélites do protagonista, vivido por um James Caan (1940-2022) especialmente inspirado, alinhavando as subtramas com o estilo que o consagrou para que Willie Nelson, Tuesday Weld e James Belushi apareçam e brilhem no momento exato. Puro Michael Mann na veia.



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