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Por que crescem pimentões dentro de outros pimentões?

Por que crescem pimentões dentro de outros pimentões?

É aquele momento clássico na cozinha: você vai fazer um vinagrete, corta o pimentão e -“Ai meu Deus!– tem um mini pimentão lá dentro te encarando. É quase como abrir um Kinder Ovo botânico, mas sem o brinquedo de montar (e com mais fibras). Que classe de bruxaria é esta? É possível comê-lo? Sim, é comestível, e como denominaram faz mais de meio século três pesquisadores da Universidade da Califórnia, em 1966, para ser mais exato, que estudaram o curioso caso dos pimentões que crescem dentro de outros pimentões, se trata de uma “proliferação interna” cuja forma pode variar bastante.

Por que crescem pimentões dentro de outros pimentões?

De fato, estamos mais próximos de uma semente que ficou a meio caminho, porque as sementes dentro das frutas como os pimentões começam como óvulos: a versão vegetal dos ovos celulares.

Estamos diante do Christopher Nolan da hortifrúti. É um pimentão dentro de um pimentão, dentro de uma sacola plástica, dentro da sua geladeira. A ciência chama de “proliferação interna“, mas eu prefiro chamar de “incepimentão“”. Só falta a trilha sonora dramática de fundo quando você passa a faca.

Durante a etapa da floração, o pólen dentro de uma estrutura chamada carpelo, cuja parte exterior, converte-se no fruto da pimenta. Obtemos um pimento quando o pólen termina na parte superior desse carpelo. Os espermatozoides nesse pólen viajam para os óvulos e os fertilizam, e isso faz com que os óvulos se convertam em sementes e que a parte externa do carpelo se converta em fruta.

O pimentão que “quis ser mais. O pimentão interno é um “aspirante a carpelo”, ou seja, ele é basicamente um vegetal com crise de carreira, que não queria ser apenas uma semente sem graça; ele tinha o sonho audacioso de ser o fruto principal.

– “Vocês que lutem, eu vou tentar ser o protagonista da porra toda!“, disse ele após olhar para as sementes vizinhas.

No entanto, há uma grande quantidade de óvulos em um pimentão e nem todos se fertilizam. Às vezes, um não fertilizado pode começar a se transformar em um novo pimento. Ou parte de um.

Esse pimentão interno é em realidade um aspirante a ser um carpelo, ou o que os botânicos chamam de estrutura carpeloide. Basicamente, as mutações genéticas podem fazer com que um óvulo não fertilizado comece a crescer como se fosse a parte externa do carpelo e a formar uma fruta.

Como isto ocorre sem que o óvulo seja fertilizado, estes pimentões internos se consideram um tipo de partenocarpia: o desenvolvimento da fruta sem fertilização. E são mais comuns nos pimentões com mutações genéticas que criam óvulos deformados, aqueles que não se podem fertilizar adequadamente.

A partenocarpia é basicamente o pimentão dizendo que não precisa de ninguém para constituir família. É a independência total. Enquanto outros frutos precisam de polinização e romance, esse mini pimentão interno decidiu que é autossuficiente e vai crescer sozinho, por mutação pura e simples. É o auge do auto-amor.

Por que a natureza é capaz de produzir estes mini pimentões sem semente? Já passou mais de 50 anos desde aquela primeira pesquisa e segue sendo um enigma para a ciência. Em qualquer caso, à partenocarpia foi a responsável por criar bananas, abacaxis, uvas e laranja, e outras variedades de frutas partenocárpicas, sem sementes que desfrutamos regularmente.

Acho fascinante que pesquisadores da Universidade da Califórnia estudam isso desde 1966 e a conclusão atual é: “segue sendo um enigma”. O ser humano já foi para a Lua, criou a Inteligência Artificial e mapeou o genoma, mas o pimentão grávido de si mesmo continua derrotando os maiores intelectos da nossa espécie. O pimentão é o verdadeiro mestre do segredo.

Da próxima vez que encontrar um desses, não pense nele como uma deformidade genética. Pense que você ganhou um pimentão de brinde que passou 50 anos desafiando a ciência e provavelmente possui um diploma em Filosofia.

Você costuma comer o “pimentão filhote” ou fica com pena de separar a família?

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