Após estrear no cinema, Rebeca Jamir está de volta aos palcos. A atriz e cantora pernambucana, que brilhou no filme “O Filho de Mil Homens”, estrela o musical “Domingo no Parque”, baseado na música homônima de Gilberto Gil. A peça estreia em São Paulo, neste sábado (3), marcando um novo desafio na carreira da artista.
Com texto e direção de Alexandre Reinecke, a peça conta com direção musical de Bem Gil, filho de Gilberto Gil. O repertório cantado em cena pelo elenco é majoritariamente composto por canções do baiano, além de outras músicas brasileiras.
“Fazer musical é sempre uma maratona e ainda mais no lugar de protagonista, porque exige muito vocalmente. Tive que fazer também aula de capoeira e de sanfona para o espetáculo. Foi intensa a preparação”, revela Rebeca, que interpreta Juliana, moça disputada por José e João.
“É muito louco ter ouvido tanto essa música, desde a minha infância, e agora poder viver essa personagem. Juliana é uma mulher exuberante, com sede de viver, e que se sente dividida entre dois amores. Ela também luta contra a ditadura militar. Então, a liberdade é a força motriz dela”, aponta.
Contraste
A personagem contrasta com o último papel vivido por Rebeca Jamir. Isaura, uma das protagonistas de “O Filho de Mil Homens”, é uma jovem reprimida, rejeitada pela própria família após perder a virgindade antes do casamento. Adaptação do livro de Valter Hugo Mãe, o filme dirigido por Daniel Rezende para a Netflix foi a primeira experiência da atriz no cinema, depois de anos dedicados ao teatro.
“Era uma coisa com a qual eu sonhava muito, porque foram os filmes que me mostraram que a minha paixão pelo ofício de atriz era irremediável. Eu sentia que aquelas pessoas que estavam na tela conheciam algo sobre mim, de uma maneira muito misteriosa e bonita. Achava que isso [fazer cinema] estava muito distante de mim. Quando aconteceu, foi uma felicidade muito grande”, comenta.
Contracenando com nomes como Rodrigo Santoro, Johnny Massaro e Grace Passô, a pernambucana mergulhou em um intenso trabalho de preparação para o papel. Rebeca encarou uma dieta para perder oito quilos e se aproximar da descrição da personagem no livro, mas esse não foi o maior desafio de Isaura, segundo a atriz.
“De todas as personagens que eu já fiz, essa é a mais diferente de mim. Sou muito efusiva, risonha, piadista, e ela é o extremo oposto. Isaura carrega esse silenciamento feminino, que é estrutural. Ser atriz tem muito de se jogar em abismos em busca da personagem. Eu pelo menos sinto que saio sempre mais inteira desse mergulho”, relembra.
Do Recife para o mundo
Rebeca Jamir deixou o Recife aos 18 anos, para estudar atuação no Rio de Janeiro. A atriz, que já integrou o elenco da série “Sintonia” e de peças como “A Divina Farsa”, como convidada da Cia La Minima, e “Cangaceiras – Guerreiras do Sertão”, mora atualmente em São Paulo. Mesmo distante, ela não deixa de enaltecer suas raízes.
“Eu sou uma boa pernambucana bairrista. Ser desse estado é uma grande riqueza que eu tenho. O cinema, o teatro, a música e as artes visuais de Pernambuco são influências muito sólidas na minha vida”, assegura Rebeca, que iniciou a trajetória artística ainda criança, atuando junto ao Teatro de Amadores de Pernambuco (TAP).
Um dos próximos projetos da artista está ligado à cultura pernambucana. Ela tem desenvolvido um trabalho junto à poeta Isabelly Moreira, de São José do Egito, que será sua primeira direção para o teatro. A artista pretende seguir equilibrando os palcos com novas oportunidades no cinema e na TV. “Espero que os caminhos mais bonitos se abram sempre. Vejo tudo o que vem acontecendo comigo na arte como uma continuidade, porque sei o quanto tenho trabalhado todos os dias para isso”, diz.

