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Paulo Vieira aprofunda os temas na nova temporada de “Avisa Lá que Eu Vou”

Paulo Vieira aprofunda os temas na nova temporada de “Avisa Lá que Eu Vou”


No Grupo Globo, Paulo Vieira funciona como um bobo da corte. Não no sentido mais leviano e comezinho da função, como se fizesse graça por fazer, mas no sentido original, de ser aquele que pode falar verdades de maneira cômica ou irônica sem se intimidar pelos humores dos poderosos que o contratam.




Por isso, pôde debochar, no programa de Luciano Huck, sem maiores consequências, do famoso powerpoint do Vorcaro, criado pelo jornalismo da empresa, mesmo sendo o programa dominical patrocinado pelo banqueiro bandido. Essa liberdade de ação é muitíssimo bem aproveitada no talk show itinerante “Avisa Lá que Eu Vou”, do GNT, que acaba de estrear sua quinta temporada.


O Brasil

Quando estreou, em 2022, parecia apenas um programa que pretendia mostrar, com muita empatia, o Brasil profundo, desvendando como vivem pessoas comuns em rincões que não apareciam na tevê. Uma espécie de “Me Leva Brasil”, que Maurício Kubrusly apresentou por 15 anos no “Fantástico”, mas com uma pegada bem diferente.


Kubrusly buscava o espetaculoso e o pitoresco, enquanto Paulo Vieira mostra a sabedoria que vive na simplicidade. Mas, de temporada em temporada, “Avisa Lá que Eu Vou” vem migrando para uma postura mais política. Não a partidária, mas a que mostra a inteligência por trás da diversidade de formas de viver, sempre com humor e respeito, sem arrastar o diferente para a berlinda da normalidade.


Episódios

Essa metamorfose pela qual o programa vem passando ficou explícita no episódio de estreia desta quinta temporada, que se passa na região do Xingu, em Mato Grosso e mostra a cerimônia do Kuarup, realizada pelos povos originários da região.


Ao contrário do que costuma acontecer, Paulo Vieira parece pouco à vontade ao conversar com representantes dos povos que participam do ritual. E dá para entender o motivo: como se trata de uma cultura diversa, com valores próprios, o apresentador preferiu se conter a arriscar uma ofensa involuntária.


No segundo episódio, Paulo vai atrás da história de Luiz Gonzaga. Vai a Exu, em Pernambuco, fala com familiares e faz uma verdadeira reverência ao Rei do Baião. Sempre com respeito e cuidado, coerente com a postura que ele sempre demonstra em suas entrevistas.


“Pablo & Luizão”

A característica do humor de Paulo Vieira é que os alvos de deboche são ele mesmo ou instituições – como é o caso da própria Globo. E, ainda assim, de forma jocosa e não depreciativa.


Esse olhar está presente de forma bem clara no seriado autobiogáfico “Pablo & Luizão”, em que transforma as limitações econômicas de sua infância em lembranças ricas em aventura.


E aqui aparece a grande diferença entre personagens da tevê que se aproximam de pessoas simples como quem vê uma oportunidade – chegam até a balançar falsas barras de ouro como se fossem uma cenoura diante de um asno – e Paulo Vieira, que tem uma real intimidade com essas pessoas e faz uma abordagem absolutamente honesta.

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