Setor soma 143 milhões de visitantes e amplia debate sobre investimentos e expansão (Beatriz Waehneldt/M&E)

RIO DE JANEIRO – O setor de parques, atrações turísticas e entretenimento no Brasil registra crescimento em faturamento e visitação, mas mantém desafios ligados à mão de obra qualificada, crédito e expansão de projetos. Os dados fazem parte da quarta edição do Panorama Setorial de Parques, apresentado nesta terça-feira (13), durante o Sindepat Summit 2026, realizado no Auditório Doppelmayr, no ExpoRio Cidade Nova, no Rio de Janeiro.

O painel “CEO Talks: 4ª edição do Panorama Setorial de Parques e a visão dos líderes” reúne Ronaldo Beber, CEO da Gramado Parks, Kiko Buerger, CEO do Grupo Oceanic, Alessandro Cunha, CEO da Aviva, e Pedro Cypriano, da Noctua, responsável pela apresentação do levantamento desenvolvido em parceria com o Sindepat e a Adibra.
Antes da apresentação dos números, Paulo, representante do Sindepat, destaca a importância da participação dos associados no preenchimento da pesquisa. Segundo ele, praticamente metade dos associados responde ao levantamento deste ano.

“Esse é um trabalho feito a várias mãos e dependemos muito de vocês para a qualidade dos resultados. Precisamos desses números para mostrar a relevância do setor e para fazer nossa agenda regulatória em novos negócios e na requalificação dos empreendimentos. Isso mostra a pujança e a importância do setor e nos ajuda na agenda em Brasília, porque temos dados e números para defender o nosso mercado”, afirma.

Na sequência, Kenzo, da Adibra, reforça a necessidade de ampliar o número de participantes da pesquisa e construir uma série histórica mais ampla para o setor.
“Vamos incentivar que a gente consiga dados mais fiéis e uma linha do tempo grande. Isso vai ajudar muito o setor, tanto na área governamental quanto com investidores e parceiros estratégicos. Estamos em uma fase importante de diálogo com o governo e precisamos de números sólidos para mostrar que representamos centenas de milhares de empregos”, pontua.

Pedro Cypriano, moderador do painel e representante da Noctua, apresenta os principais indicadores do setor e contextualiza o cenário econômico e turístico do Brasil. Segundo ele, o estudo mapeia atualmente quase 900 empreendimentos de entretenimento no país, dos quais cerca de 300 participam constantemente da pesquisa.
“Hoje temos mapeados quase 900 empreendimentos de entretenimento no Brasil e praticamente 300 participam de forma constante do estudo. Isso ajuda a discutir tendências e entender o que vem pela frente”, informa.

Cypriano explica que o panorama é dividido em três frentes: cenário macroeconômico e turístico do Brasil, desempenho do setor de entretenimento e perspectivas de investimentos futuros.

Na análise do turismo nacional, o executivo afirma que o fluxo doméstico permanece estável nos últimos anos, enquanto o mercado internacional cresce impulsionado principalmente pelos turistas argentinos e pela desvalorização cambial.

“O fluxo de turismo no Brasil está lateralizado. Não vemos grandes oscilações nos últimos dois anos. O mercado doméstico permanece estável e o internacional cresce um pouco mais”, relata.

Segundo ele, o crescimento limitado do turismo doméstico está ligado ao aumento das tarifas aéreas, pressionadas principalmente pelo custo do querosene de aviação.

“O mercado doméstico cresce em receita, mas não em volume. A tarifa média aérea cresce acima da inflação e isso penaliza a demanda”, analisa.

Ao abordar o comportamento do consumidor, Cypriano revela que os estrangeiros ampliam os gastos em viagens ao Brasil, enquanto os brasileiros continuam consumindo no mercado internacional mesmo diante do dólar elevado.

“O brasileiro continua gastando cada vez mais lá fora. Mesmo com um câmbio mais desvalorizado, a propensão ao consumo internacional permanece elevada”, explica.

O estudo também aponta estabilidade na ocupação dos resorts brasileiros, acompanhada de aumento nas tarifas médias. Para a Noctua, esse cenário demonstra que o turismo mantém demanda relevante, mesmo sem crescimento expressivo em volume.

Panorama Setorial de Parques aponta crescimento de 13% no faturamento

Entre os principais números apresentados, o levantamento identifica 869 empreendimentos de entretenimento mapeados no Brasil, sendo 308 participantes efetivos da pesquisa. O setor soma mais de 200 mil empregos, 143 milhões de visitantes e faturamento de R$ 9,5 bilhões.

Na comparação com a edição anterior, o número de visitantes cresce 5% e o faturamento avança 13%.
“O mercado de entretenimento no Brasil cresce em média tanto em demanda quanto em ticket médio”, declara Cypriano.

O estudo segmenta os resultados por perfil de empreendimento. Os parques naturais registram crescimento de 5,7% em visitação, impulsionados por concessões e novos investimentos. Os parques aquáticos avançam 11,7%, embora parte do resultado esteja ligada à base reduzida do Rio Grande do Sul após os impactos climáticos enfrentados anteriormente.

Já as FECs (Family Entertainment Centers) apresentam retração em visitação, movimento associado ao aumento da concorrência e à expansão da oferta de entretenimento em outros segmentos.

“A nossa percepção é que parte do crescimento da oferta em outros perfis de destinos redireciona o público para outros empreendimentos”, observa.

O levantamento mostra ainda que o ticket médio dos parques alcança R$ 134, considerando ingressos, alimentos, bebidas e outras receitas. Nas FECs, o valor médio fica em R$ 59.

Apesar da elevação do ticket de entrada, Cypriano aponta dificuldade para repassar integralmente os aumentos de custos para operações de alimentos e bebidas.

“Estamos deixando dinheiro na mesa. O custo sobe e nem sempre conseguimos repassar isso para outras linhas de receita”, comenta.

Entre os principais desafios do setor, a disponibilidade de mão de obra qualificada aparece como principal preocupação dos operadores. Em escala de um a cinco, o tema recebe nota 2,4 no levantamento.

“A dificuldade de contratar e reter profissionais provavelmente não muda nos próximos anos”, avalia.
O acesso ao crédito também aparece entre os principais entraves, principalmente após o encerramento do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse).

“Sem incentivo fiscal, dependemos mais de geração de caixa ou de linhas de financiamento, que continuam proibitivas na maior parte do mercado”, aponta.

Mesmo com juros elevados e cenário macroeconômico mais restritivo, o setor mantém projetos em andamento. Segundo a pesquisa, existem atualmente 70 projetos de entretenimento em desenvolvimento no Brasil, número 10% inferior ao da edição passada.

Os empreendimentos estão distribuídos em 41 cidades brasileiras, com concentração maior nas regiões Sul e Sudeste. Entre os projetos previstos, aparecem parques naturais, aquáticos, atrações turísticas, parques indoor e parques de trampolim.

O levantamento identifica ainda R$ 7,1 bilhões em investimentos previstos para o setor. Desse total, aproximadamente três quartos já possuem funding parcial ou totalmente estruturado.

“Tendo três quartos do funding já equacionados, a probabilidade de implementação desses projetos é bastante alta”, afirma Cypriano.

O executivo também destaca que os investimentos seguem divididos entre projetos exclusivamente de entretenimento e empreendimentos integrados à hospitalidade, como hotéis, multipropriedade e timeshare.

Ao encerrar a apresentação, Cypriano agradece às empresas participantes e reforça a importância da continuidade da pesquisa.

“Cada ano damos um passo um pouco mais longo. Parar alguns minutos para responder à pesquisa nunca é simples, mas isso ajuda o setor inteiro”, conclui.