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Pamela Anderson reaparece em grande estilo na Netflix com a comédia mais escancarada do momento

Pamela Anderson reaparece em grande estilo na Netflix com a comédia mais escancarada do momento

Comédia física e piadas tolas são a base do besteirol e isso não vai mudar, a despeito da chiadeira dos críticos. Feita essa ponderação, Akiva Schaffer usa de todas as armas que pode para garantir que o espectador jamais se canse, permanecendo até o final do seu “Corra que a Polícia Vem Aí”, 85 minutos depois — e a missão é árdua. Schaffer reproduz a fórmula do humor escrachado, de blagues que só podem sustentar-se mediante situações nonsense e muita, muita comédia física, sobrando pouca margem para sutileza e respiros dramáticos e alguma reflexão. Entretenimento despretensioso, benfeito, pensado para ser consumido de imediato, quente, pelando, o novo “Corra que a Polícia Vem Aí” é, claro, uma derivação de “Corra que a Polícia Vem Aí!” (1988); “Corra que a Polícia Vem Aí 2½” (1991), dirigidos por David Zucker; e “Corra que a Polícia Vem Aí! 33 1/3 – O Insulto Final” (1994), levado à tela por Peter Segal. Os três filmes da franquia de besteiróis foram baseados em “Police Squad!” (1982), a malfadada série desenvolvida por Jim Abrahams (1944-2024), Zucker e o irmão, Jerry, e exibida pela ABC. Como se vê, as referências são as melhores.

Feitiço do tempo

Mesmo num reboot, assistir a “Corra que a Polícia Vem Aí” quase quarenta anos após a estreia é como fazer uma regressão. Ninguém volta quatro décadas no tempo sem sentir o peso de suas próprias escolhas, sem começar a refletir se está de fato no seu melhor momento, como recomendam-nos que digamos os manuais de etiqueta e os tais coaches das redes sociais, e a viagem pode não ser assim tão prazerosa. Evidentemente, o diretor e os corroteiristas Dan Gregor e Doug Mand o sabem, e tiram proveito disso, explorando tudo quanto pode haver de nostálgico na história e empurrando as imperfeições para debaixo do tapete. Drebin faria assim, e não por acaso suas peraltices continuam rendendo tanto. Daquele tempo, ficaram também a cornucópia de blagues que ferem as consciências puras do vil politicamente correto — e isso já o faria digno de medalhas. Depois de debelar um assalto a banco no corpo de uma fugitiva do jardim de infância (o que inclui ter peso e estatura compatíveis com o disfarce), o veterano do Esquadrão de Polícia, uma divisão de elite (risos, risos desbragados) das forças de defesa de Los Angeles, é instado a enfrentar um certo Richard Cane, dono da Edentech, uma montadora de carros elétricos. Schaffer, Gregor e Mand chegam aonde querem com sutileza, mas nós sabemos quem é o tal Cane.

Bryan Mills, é você?

Liam Neeson assume o lugar de Leslie Nielsen (1926-2010) como Frank Drebin Jr., filho do insano detetive que protagoniza a história, e por essa razão, não é loucura ver em Frank Drebin um quê dos vários tipos durões a que o ator vem dando vida no decorrer do meio século de carreira, a começar por Bryan Mills. Assim como o temerário anti-herói de “Busca Implacável” (2008), de Pierre Morel, Drebin também preenche o vazio de uma perda aniquiladora com planos fantasiosos para provar a culpa de Cane numa conspiração para interferir no funcionamento de dispositivos eletrônicos de todo o planeta, e nisso entra, de forma meio oblíqua, Beth Davenport, a irmã de uma vítima da sanha imperialista do magnata interpretada por Pamela Anderson, ótima. Essa sucessão de lugares-comuns caricatos reproduzidos sem cerimônia provoca mais gargalhadas do que nunca. Sinal dos tempos.



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