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O melhor filme de terror de 2025 acaba de chegar à Mubi

O melhor filme de terror de 2025 acaba de chegar à Mubi

O filme começa sem pedir licença ao imaginário confortável associado a Cinderela. A morte súbita do pai, caído à mesa como um erro de cálculo social, reorganiza imediatamente as forças da narrativa. Rebekka, vivida por Ane Dahl Torp, surge menos como vilã e mais como produto de uma lógica antiga: sobreviver exige estratégia, e estratégia exige sacrifícios. Ao levar Elvira e Alma para a casa do novo marido, ela aposta tudo numa promessa que se dissolve antes mesmo do luto. A precariedade não é apenas econômica; ela contamina afetos, escolhas e limites morais. Nesse terreno instável, o filme constrói sua tensão principal: quem merece ser amado quando o amor virou moeda?

Elvira, interpretada por Lea Myren, ocupa o centro da narrativa não por heroísmo, mas por fratura. Seu corpo, constantemente avaliado, corrigido e violentado, carrega o peso simbólico de uma sociedade que exige beleza como passaporte. Ela não reage com cinismo nem crueldade, mas com um desejo quase infantil de pertencimento. A relação com a mãe oscila entre proteção e abuso, enquanto a presença de Agnes intensifica a comparação cruel. Elvira não disputa apenas o príncipe; disputa o direito de existir sem precisar se refazer em pedaços.

Agnes, vivida por Thea Sofie Loch Næss, rompe com a imagem da jovem dócil e etérea. Aqui, a futura Cinderela sabe exatamente o efeito que causa e usa isso com precisão social. Seu romance escondido com o rapaz do estábulo contrasta com a imagem de virtude que vende ao príncipe Julian, papel de Isac Calmroth. Essa duplicidade não transforma Agnes em antagonista simples; ela expõe como a moral funciona como ornamento, ajustável conforme a plateia. O conto deixa de ser sobre bondade recompensada e passa a discutir performance.

Horror físico como espelho social

As cenas de mutilação e procedimentos grotescos não surgem como choque gratuito. O corpo de Elvira vira campo de experimento de um ideal impossível, refletindo práticas contemporâneas de modificação estética levadas ao extremo. A reação do público — riso nervoso, repulsa, aplausos isolados — revela reconhecimento. Há algo de profundamente familiar nesse horror. Ao revisitar versões antigas do conto, nas quais a violência nunca foi suavizada, o filme recupera a crueldade original das fábulas. O resultado não conforta nem ensina. Ele acusa. E ao acusar, deixa claro que o sapato nunca foi pequeno demais para os pés, mas para o mundo que insiste em moldá-los à força.

Filme:
A Meia-Irmã Feia

Diretor:

Emilie Blichfeldt

Ano:
2025

Gênero:
Comédia/Drama/Terror

Avaliação:

9/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

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