O ditado “Voc no pode levar nada para o tmulo” pode ser um clich para ns aqui no sculo XXI, mas dificilmente faria sentido para um antigo egpcio. Afinal, uma das caractersticas mais conhecidas da elite daquela civilizao era que seus membros no poupavam esforos para evitar esse tipo de perda. A prova mais convincente disso so os tmulos dos faras, ricamente abastecidos com tudo, desde itens de primeira necessidade a artefatos religiosos e servos (em efgie ou no). E ningum importante no antigo Egito seria visto partindo deste mundo sem um Livro dos Mortos. |

– “Componente padro nos sepultamentos da elite egpcia, o Livro dos Mortos no era um livro no sentido moderno do termo, mas um compndio de cerca de 200 feitios e oraes rituais, com instrues sobre como o esprito do falecido deveria recit-los no alm”, escreve Franz Lidz, no New York Times.
Compilado e aprimorado ao longo de milnios desde cerca de 1550 a.C., o texto fornecia uma espcie de mapa visual que permitia alma recm-desencarnada navegar pelo duat, um submundo labirntico de cavernas, colinas e lagos em chamas.
Cada um de seus “feitios” abordava uma situao especfica que o falecido poderia encontrar nessa jornada: um ataque de cobra, decapitao, uma virada de cabea para baixo que inverteria suas funes digestivas e faria com que voc consumisse seus prprios dejetos.
Podemos certamente entender por que esses egpcios de alto status no quiseram arriscar. No vdeo animado do Ted-Ed abaixo, voc pode acompanhar a jornada de um desses indivduos, um escriba de Tebas do sculo XIII a.C. chamado Ans.
Aps seu corpo passar por dois meses de mumificao, seu esprito faz sua jornada angustiante pelo submundo, invocando os feitios que ele havia pensado em incluir em seu Livro dos Mortos enquanto vivo.
Em seguida, vem o julgamento moral por um grupo de 42 “deuses avaliadores” e a pesagem de seu corao, o passo final antes de sua admisso a um exuberante campo de trigo que a vida aps a morte egpcia.
Se Ans chegou to longe permanece uma questo em aberto, mas a preservao fsica e digital moderna dos Livros dos Mortos (mais exemplos podem ser vistos de perto no Google Arts & Culture) concedeu a ele e a seus compatriotas uma espcie de imortalidade, afinal.
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