Para Diogo Nogueira, olhar para os 20 anos de carreira é também voltar aos lugares que formaram sua escuta. O samba, nesse percurso, não aparece apenas como gênero musical, mas como herança familiar, aprendizado e símbolo de reverências.
“O samba me fez, o samba me construiu”, resume o cantor, que transforma essa memória em ponto de partida para um espetáculo que percorre diferentes momentos de sua trajetória.
É daí que nasce “Infinito Samba”, turnê que celebra suas duas décadas de trajetória e chega ao Teatro Guararapes, hoje (28).
No Recife, cidade que, segundo o artista, ocupa um lugar especial em sua caminhada, Diogo apresenta um projeto concebido para olhar para o samba por diferentes ângulos — reunindo histórias, referências e canções que ajudam a explicar como ele chegou até aqui.
A reverência ao samba
Filho de João Nogueira e neto de músico, Diogo cresceu cercado por nomes e histórias do samba. Pixinguinha, Jacob do Bandolim e João da Baiana eram apenas alguns que frequentaram esse universo familiar.
“Eu tô muito feliz, super realizado! Você completar 20 anos de carreira da forma que foi construída, passo a passo, com muita dedicação, com muito carinho, com muito respeito a tudo aquilo que eu aprendi, que vi antes e durante essa minha trajetória”, afirma.
“Sem essas pessoas, que, na verdade, construíram e pavimentaram esse chão, a gente não estaria aqui dando continuidade e mostrando toda a nossa cultura”.
Essa memória ganha forma, por exemplo, quando Diogo canta “Espelho”, em um dueto virtual com o pai e, na sequência, “Além do Espelho”, com o filho, Davi.
A grandiosidade do palco
A ideia, segundo Diogo, foi juntar músicos populares, do samba, a uma formação orquestral. São 35 músicos, oito bailarinos da Companhia de Dança de Leandro Azevedo, direção artística de Rafael Dragaud e direção musical de Rafael dos Anjos e Alessandro Cardoso.
O show funciona em fluxo contínuo, com projeções, orquestra e dança. Tudo isso em tono de um repertório de 52 músicas distribuídas em 29 números. Quase três horas de um passeio pelo universo afetivo-musical que habita as referências de Diogo. “É um show longo, que tem na verdade uma dinâmica muito interessante, não para”, explica Diogo. “Então vira um ciclo infinito mesmo.”
Repertório, referências e uma convidada
A seleção passa por canções de Diogo, como “Clareou”, “Pé na Areia” e “Alma Boêmia”, além de músicas inéditas, que só serão conhecidas para quem for ao show, como “Joga na Minha Cara” e “Todo Apaixonado Tem um Plano”.
Há, também, versões em samba de músicas de outros territórios, como “Garota Nota 100”, de MC Marcinho, e “Olha”, de Roberto Carlos. Aparecem no repertório nomes como Jorge Ben Jor – “Menina Mulher da Pele Preta”, “Mas que Nada” –, Só Pra Contrariar – “Domingo”.
Como não poderia deixar de ser, o roteiro ainda traz referências incontestes do samba, como Alcione, Beth Carvalho, Martinho da Vila, Paulinho da Viola e, óbvio, João Nogueira.
A cantora e compositora pernambucana Joyce Alane é a convidada de Diogo no show de hoje. Diogo a conheceu no Prêmio da Música Brasileira, se encantou com sua voz e tece elogios à artista. “É uma pessoa jovem, uma compositora, uma mulher firme, que se posiciona, que escreve sobre o amor com um toque político”, afirma.
No dia 2 dezembro, Dia do Samba, o projeto ganhará registro audiovisual gratuito no Parque Madureira, no Rio de Janeiro (RJ).
SERVIÇO
Diogo Nogueira – “Infinito Samba”
Quando: Sexta-feira (28), às 21h
Onde: Teatro Guararapes – Av. Prof. Andrade Bezerra, s/n, Salgadinho, Olinda – PE
Ingressos: a partir de R$ 50, no Cecon Tickets e na bilheteria do teatro
Instagram: @diogonogueira_oficial
