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O fenômeno de bilheteria com Angelina Jolie, que arrecadou 2,5 bilhões nos cinemas, na Netflix

O fenômeno de bilheteria com Angelina Jolie, que arrecadou 2,5 bilhões nos cinemas, na Netflix

Durante boa parte de “Sr. & Sra. Smith”, Doug Liman brinca com a ideia de que casamento também pode funcionar como operação secreta. John Smith (Brad Pitt) e Jane Smith (Angelina Jolie) vivem em uma casa elegante, frequentam jantares sociais e tentam aparentar a vida confortável de um casal de classe média alta americana. Existe apenas um detalhe complicado: os dois trabalham como assassinos de aluguel e nenhum sabe da verdadeira profissão do outro.

John atua para uma agência especializada em contratos clandestinos. Jane trabalha para outra organização, ainda mais rígida e silenciosa. Ambos passam os dias viajando, executando missões e escondendo armamentos em compartimentos espalhados pela casa. O curioso é que eles conseguem esconder cadáveres, perseguições e tiroteios com mais facilidade do que escondem o tédio conjugal. As conversas entre os dois já perderam espontaneidade há muito tempo. Até a terapia de casal soa burocrática.

Em vez de transformar a história apenas em espetáculo de ação, ele usa o cotidiano como instrumento de humor. John tenta parecer um marido tranquilo enquanto mente sobre viagens de trabalho. Jane observa hábitos, horários e pequenas mudanças de comportamento como quem investiga um suspeito profissional. A cozinha, a garagem e o escritório da casa passam a funcionar quase como extensões das agências para as quais trabalham.

A missão que muda tudo

A situação ganha outro rumo quando as duas organizações enviam seus melhores agentes para eliminar Benjamin Danz (Adam Brody), um homem que ameaça comprometer operações importantes. John recebe ordens objetivas: localizar o alvo e impedir qualquer vazamento de informação. Jane recebe exatamente a mesma missão. Nenhum deles imagina que encontrará o próprio cônjuge no local.

A sequência em que os dois descobrem a verdade resume perfeitamente o tom do filme. Existe suspense porque ambos precisam sobreviver. Existe ação porque as agências exigem resultados rápidos. E existe comédia porque John e Jane parecem mais irritados pela mentira conjugal do que pelo fato de serem assassinos profissionais apontando armas um para o outro.

Brad Pitt trabalha o personagem com humor relaxado e um ar quase infantil em alguns momentos. John gosta de improvisar, conversa demais e tenta transformar situações perigosas em brincadeira. Angelina Jolie segue caminho oposto. Jane calcula movimentos, controla emoções e mantém uma postura fria até quando tudo ao redor começa a desmoronar. A química entre os dois sustenta o longa inteiro. Não por acaso, o filme acabou sendo lembrado tanto pelo romance dos bastidores quanto pelas cenas de ação.

A casa vira território hostil

Depois da missão fracassada, as agências concluem que John e Jane representam um problema. Os dois passam a ser tratados como ameaças internas. Sem apoio, sem proteção e cercados por gente armada, eles voltam para casa sabendo que o casamento entrou oficialmente em colapso.

É nesse momento que “Sr. & Sra. Smith” fica ainda mais divertido. A casa do casal deixa de ser ambiente doméstico e vira território hostil. Facas aparecem escondidas em armários. Rifles saem de paredes falsas. Objetos comuns da cozinha passam a servir como armas improvisadas. Doug Liman conduz essas cenas com ritmo leve e até debochado, como se estivesse zombando da ideia de perfeição vendida por casais de comerciais de margarina.

Existe uma briga particularmente interessante porque ela revela algo importante sobre os personagens. John hesita antes de machucar Jane. Jane também demonstra insegurança em certos momentos, embora tente esconder isso atrás da postura profissional. No meio da destruição da casa, os dois finalmente conseguem falar com honestidade sobre frustrações acumuladas durante anos. É quase uma DR armada até os dentes.

Adam Brody aparece menos do que muita gente imagina, mas sua presença ajuda a movimentar a trama. Benjamin Danz funciona como peça central de uma disputa entre agências clandestinas que preferem eliminar testemunhas antes que qualquer informação chegue às autoridades. O filme não perde tempo tentando aprofundar a política dessas organizações. Doug Liman prefere manter foco na dinâmica do casal.

Humor, ação e charme

Mesmo trabalhando com perseguições, armas automáticas e tiroteios elaborados, “Sr. & Sra. Smith” nunca deixa de lado o humor. Há uma leveza constante nas cenas, principalmente porque Brad Pitt e Angelina Jolie parecem se divertir o tempo inteiro. O filme sabe que boa parte de sua força depende dessa troca entre os protagonistas.

Doug Liman não exagera nas explicações. As agências permanecem parcialmente misteriosas. Os chefes quase nunca aparecem demais. Muitas decisões chegam através de telefonemas rápidos ou mensagens curtas. Isso ajuda a manter o foco no relacionamento dos Smith, que aos poucos percebem algo desconfortável: talvez o casamento só estivesse funcionando mal porque ambos escondiam quem realmente eram.

O longa aproveita muito bem os ambientes luxuosos, os figurinos elegantes e a estética publicitária dos subúrbios americanos. Tudo parece organizado demais, limpo demais e artificial demais. A bagunça começa justamente quando John e Jane param de fingir normalidade.

“Sr. & Sra. Smith” talvez não tenha o refinamento de grandes thrillers de espionagem dos anos 2000, mas compensa isso com carisma, ritmo e senso de humor. Doug Liman transforma uma crise conjugal em espetáculo pop sem perder a clareza do enredo. E poucas vezes Brad Pitt e Angelina Jolie pareceram se divertir tanto em cena quanto aqui, escondendo armas pela casa enquanto tentam salvar um casamento que já vinha perigosamente perto do desgaste completo.



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