Com estreia oficial marcada para quinta-feira (9), mas já com exibições em salas em todo o Brasil, a nova produção da A24 desnorteia qualquer telespectador que procure categorizar “O Drama”.
O romance, que antes mesmo de ser lançado, já gerava debates polêmicos, é contextualizado dentro do relacionamento de Emma e Charlie, interpretados por Zendaya e Robert Pattinson, com atuações que não passam despercebidas, que vivem um suposto “relacionamento ideal”, no ápice da paixão, às vésperas do casamento.
Existe limite no amor?
Não demora muito para que o espectador seja jogado em um espiral de angústia, caos psicológico e drama.
O que antes parecia ser perfeito, passa a colocar em xeque tudo aquilo que, muitas vezes, é preferível ignorar – o famoso “deixa quieto”. Qual o limite do amor? Quanto pode-se abrir mão de si, por medo de perdê-lo, sem se abandonar?
Esse é o fio condutor da narrativa, que caminha como quem anda em uma corda bamba, carregando outros debates que se acumulam ao longo do percurso, atravessados por pautas sociais, econômicas, políticas, ideológicas e existenciais – das mais difíceis às mais comuns, das mais aparentes às mais veladas.
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Devido à simultaneidade dos debates, há um momento em que o espectador pode se sentir sufocado juntamente com a trama, precisando colocar na balança o que pesa mais na hora de tomar uma decisão tão importante como a de dizer sim no altar.
“Drama”, então, ativa a consciência da nossa existência consequencial e responsabiliza cada personagem não apenas pelo que foi feito, mas também pelo que se deixou de fazer.
Polêmica
A produção chega aos cinemas cercada de polêmica. Segundo informações veiculadas pelo TMZ, “O Drama” recebeu críticas de pais e ativistas ligados às vítimas do massacre de Columbine, ocorrido em 1999 nos Estados Unidos.
A reação negativa gira em torno de um plot twist do filme, no qual a personagem de Zendaya revela ao noivo que já planejou um ataque armado em uma escola, desistindo no último momento.
Apesar de o crime não se concretizar na narrativa, a abordagem foi vista como uma banalização de uma tragédia real.
A repercussão se intensificou após a participação de Zendaya no programa “Jimmy Kimmel Live”, considerada por parte da comunidade afetada como excessivamente leve diante da gravidade do tema.
Só Freud para explicar
O debate é tangenciado pelo discurso freudiano, com o humor surgindo como uma das formas de defesa do ego e o recalque sempre presente. Nesse sentido, as ideias do criador da psicanálise, o austríaco Sigmund Freud, permeiam a questão central do filme: “o não dito se transforma em um monstro”.
É aí que a confusão se instala. Deve-se mesmo dividir tudo com o parceiro ou existe um tempo certo para abrir a sua própria “Caixa de Pandora” e determinados assuntos sejam revelados?
A crise existencial surge quase como um brinde, que não foi pedido, deixado por Kristoffer Borgli, também diretor dos filmes “O Homem dos Sonhos” e “Doente de Mim Mesma”.
Antes mal acompanhado…
O filme se apresenta como um antirromance politicamente incorreto, que dá tapas com luvas de humor ácido e expõe tudo aquilo que estava escondido debaixo do tapete do casal apaixonado formado por Zendaya e Robert Pattinson.
Bem acompanhado ou não, é indicado levar à sessão de “Drama” alguém pronto para entrar em papos existenciais sobre o não dito, visto que o filme não entrega resoluções explícitas e caminha em uma corda instável de sequências niveladas por muitas angústias, do que não era para passar de uma “DR” pré-nupcial
O filme vai na contramão da lógica categorial, se torna um organismo que respira, transpira e, acima de tudo, exige diálogo pós-créditos.

