Em outros tempos, o Reino de Batanga funcionaria muito bem como uma paródia do Brasil atual. O traidor Jendal negocia com uma potência estrangeira a venda das riquezas naturais do seu país, em troca de uma polpuda comissão extraoficial.
No caso de “A Nobreza do Amor”, o país dos corruptores não é os Estados Unidos, mas a Inglaterra, império dominante nos anos 1920. E a tal riqueza natural é o tungstênio, e não minerais de terras raras do Brasil de hoje. O espírito corrupto e a ganância, no entanto, são atemporais.
Apesar de ser o maior vilão da trama, o Jendal de Lázaro Ramos vê seu núcleo esvaziado dia após dia. A permanência no Brasil da Princesa Alika (Duda Santos) e o carisma do casal que forma com Tonho (Ronald Sotto), acaba adiando a chegada de Omar Soliman (Rodrigo Simas) a Barro Preto.
O filho do Paxá seria o par definitivo da Princesa Alika, mas os diversos dramas que vêm sendo desenvolvidos na cidade nordestina. Como o drama em torno da saúde de Tonho ou o conflito com o Padre Viriato e o cangaceiro Carrapato (gêmeos interpretados por Marcelo Médici).
Em Batanga, o único conflito que ainda desperta algum interesse é o que envolve Jendal e a filha Kênia (Nikolly Fernandes). Ela se apaixona por Dumi (Licínio Januário), antigo chefe da guarda do reino, que agora se integrou ao movimento de revoltosos. Jendal nota que a filha continua a questioná-lo, entende que ela não superou o romance com Dumi e começa a limitar seus movimentos.
Lázaro e Nikolly chegaram a criar uma sintonia cômica que funcionou muito bem, mas Duca Rachid e os co-autores Júlio Fischer e Elísio Lopes Jr. decidiram manter a linha do roteiro original e acabou deixando essa oportunidade de lado.
É um desperdício dar tão pouco movimento para um ator tão talentoso quanto Lázaro Ramos. Mas assim como a Princesa Alika e seu pretendente Omar, a novela também entrou em compasso de espera por conta da Copa do Mundo.
Em certos dias, a novela simplesmente não é transmitida por conta de conflito com algum jogo do Mundial. E mesmo que “A Nobreza do Amor” não tenha gordura para queimar (está com médias de audiência abaixo de 18 pontos), até meados de julho, é a famigerada barriga que vai dar o tom.
“A Nobreza do Amor” – Globo, de segunda a sábado, 18h10.
