A ex-parlamentar italiana Alessandra Mussolini venceu nesta terça-feira (20) o reality show “Grande Fratello VIP”, versão italiana do “Big Brother” com celebridades. Neta do ditador Benito Mussolini, ela recebeu 55,95% dos votos do público na final contra a atriz Antonella Elia.
Com a vitória, Alessandra faturou 550 mil euros, valor equivalente a cerca de R$ 3,3 milhões na cotação atual.
Aos 63 anos, ela voltou ao centro do debate público italiano ao transformar a participação no programa em uma reaproximação com a televisão e o entretenimento, áreas em que iniciou a carreira antes da entrada definitiva na política.
Da televisão à política
Antes de ocupar cargos públicos, Alessandra Mussolini trabalhou como atriz, cantora e modelo na Itália durante as décadas de 1970 e 1980.
A trajetória política ganhou força nos anos seguintes, impulsionada pelo sobrenome ligado ao ex-ditador fascista Benito Mussolini, que governou a Itália entre 1922 e 1943.
Em 2004, Alessandra se tornou a primeira mulher a liderar um partido político italiano, ao assumir o comando da legenda conservadora Ação Social. Ao longo da carreira, também passou pelo Parlamento Europeu e pela Câmara dos Deputados italiana.
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Mesmo após deixar cargos de maior relevância política, manteve presença frequente em programas de televisão e debates públicos.
Mudança de discurso
Durante boa parte da carreira, Alessandra Mussolini esteve envolvida em polêmicas ligadas a declarações consideradas homofóbicas e posições conservadoras sobre costumes.
Ela já se manifestou publicamente contra a adoção de crianças por casais do mesmo sexo e acumulou críticas de movimentos ligados aos direitos civis.
Nos últimos anos, porém, passou a defender pautas associadas à comunidade LGBTQIA+ e adotou discurso mais liberal em temas comportamentais.
Em 2022, criticou posições do governo da premiê italiana Giorgia Meloni sobre sexualidade e afirmou nas redes sociais: “Chega de sexo e sexualidade, todo mundo é tão fluido quanto quiser”.
Exposição nacional
A participação no “Grande Fratello VIP” recolocou Alessandra Mussolini em evidência num momento em que realities com figuras políticas e celebridades veteranas vêm ganhando espaço na televisão italiana.
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A vitória também ampliou o debate no país sobre o peso simbólico do sobrenome Mussolini ainda na cultura popular italiana, mais de oito décadas após o fim do regime fascista.
Durante o programa, Alessandra alternou relatos sobre a vida pessoal, comentários sobre a experiência política e referências à própria trajetória familiar, o que ajudou a manter alta repercussão nas redes sociais e na imprensa italiana ao longo da temporada.
