Nordeste Magazine
Cultura

“Neguinha, sim!”: coleção infantil viaja pelo mundo em dois novos livros

“Neguinha, sim!”: coleção infantil viaja pelo mundo em dois novos livros


Conhecida na voz de Izzy Gordon, a música “Neguinha, sim!” – composição de Renato Gama – virou livro em 2023, foi finalista do Prêmio Jabuti em 2024 e, agora, acaba de se transformar em franquia literária.


Com o lançamento de “Neguinha, sim! Em Paris” e “Neguinha, sim! Em Dacar” no final de agosto, o universo da obra infantojuvenil se expandiu em novas histórias que levam representatividade e valorização da cultura negra aos pequenos leitores.


Renato Gama assina os textos dos novos livros, que contam com ilustrações de Bárbara Quintino. As publicações integram a Coleção Canoa, iniciativa da editora Companhia das Letras voltada à ampliação do acesso à literatura para as infâncias.




Carregadas de sons, rimas e paisagens famosas, as páginas dos livros acompanham a personagem – uma menina negra cheia de encantamento pelo mundo – em viagens pelas capitais francesa e senegalense.


Em entrevista à Folha de Pernambuco, Renato Gama contou que o mote para as continuações já estava contido nos versos do primeiro livro: “e ele é belo em Paris, Dacar, São Luiz e Maceió”.


Na França, a personagem observa a Torre Eiffel e passeia às margens do rio Sena. Personalidades negras, como a dançarina Josephine Baker e o ator Omar Sy são citadas por ela.


Senegal é mostrado a partir de suas belezas naturais e de seu legado cultural, com menções à Ilha de Gorée, à dança mbalax e ao jogador de futebol Sadio Mané. A obra traz uma visão decolonial sobre o país africano, rompendo estereótipos de forma lúdica.


“Trazer a história de um outro lado é reconhecer a trajetória dos que sofreram a violência e emancipar a consciência sobre as consequências desse processo. Só pelo fato de exaltar potências negras e seus legados já estamos trazendo para a criança um pertencimento”, aponta o autor.


Renato destaca ainda que é na infância que construímos muito do que somos. “Quando [eu era] criança, não tive livros que me representassem. Mas agora, participando de rodas de conversa, é evidente o quanto livros que abordam temáticas indígenas, negras e acessibilidade vêm construindo uma sociedade mais justa, como em um processo de cura”, pontua.


Para as crianças que não são negras, Renato acredita que a leitura de suas criações pode contribuir diretamente para a formação de uma pessoa antirracista. “Os livros são ferramentas fundamentais para a construção de uma identidade pautada na liberdade”, defende.


Conectando música e literatura, cada história ganhou uma canção inspirada nela. As edições trazem as cifras das músicas e também levam o leitor até a plataforma digital para audição das respectivas gravações. “Neguinha, sim! Em Paris” contou com participação da cantora Ellen Oléria, enquanto “Neguinha, sim! Em Dacar” ganhou voz de Izzy Gordon.


A coleção deve ganhar outros dois livros ainda neste semestre, ambientados nas cidades de São Luís (MA) e Maceió (AL), como já sugeria a letra da música. Renato adianta que seu sonho é viajar com “Neguinha, sim!” por todas as capitais brasileiras.

Veja também



Fonte

Veja também

Ana Clara comenta sobre a terceira temporada de “Estrelas da Casa”; confira

Redação

Morre Roney Facchini, ator de ‘Cheias de charme’, ‘Malhação’ e ‘Rá-Tim-Bum’, aos 73 anos

Redação

Guilherme Lira leva a sua Ceramiquinho para Maison&Objet;, em Paris; saiba mais

Redação

Leave a Comment

* By using this form you agree with the storage and handling of your data by this website.