Antigos profissionais do programa SR-71 Blackbird foram procurados pela NASA para avaliar a volta do avião, que não voa desde 1999
O SR-71 Blackbird pode voltar a voar após quase 27 anos. A NASA retirou de exposição o exemplar 844, usado em suas pesquisas na década de 1990 e responsável pelo último voo do modelo, em 9 de outubro de 1999. A agência, porém, não confirmou publicamente um plano de reativação.
Projetado como um avião de reconhecimento pela Lockheed nos anos 1960, o SR-71 foi empregado pela NASA nos anos 1990 como plataforma de pesquisa em alta velocidade e altitude, onde participou de estudos de aerodinâmica, propulsão e tecnologias para futuros aviões, entre eles um experimento com motor-foguete aerospike instalado sobre a fuselagem. O último voo ocorreu durante uma apresentação aérea na Base Aérea de Edwards, na Califórnia.
A retirada do avião de sua posição de exposição havia sido noticiada pela Aviation Week em 24 de setembro. Procurada posteriormente pela publicação, a NASA afirmou não ter informações adicionais a compartilhar sobre a aeronave. A agência também não divulgou o objetivo do possível retorno, um cronograma ou uma estimativa de custos.
A eventual reativação dependeria de recuperar uma aeronave parada há quase três décadas e recompor pessoal, peças e equipamentos de apoio. Dois ex-engenheiros ouvidos pela Aviation Week apontaram eque a agência estava buscando compor um time inicial para avaliar o retorno do SR-71. Por enquanto, o contato com antigos profissionais e o trabalho no hangar indicam uma tentativa de avaliar a viabilidade do projeto, mas não garantem que o Blackbird decolará novamente.
Fazer o avião retornar ao voo exige mais do que uma revisão estrutural. Os dois motores instalados no NASA 844 estão parados há quase três décadas e precisariam passar por uma avaliação completa. Ainda existe um motor sobressalente que ficava junto à aeronave, mas não há informação pública sobre seu estado ou sobre a disponibilidade de outros motores utilizáveis. Peças de reposição, equipamentos específicos de manutenção e profissionais treinados também teriam de ser reunidos ou recuperados.
Parte importante do ferramental e componentes foram inutilizados ou sucateados após o encerramento dos voos do SR-71 pela Força Aérea dos Estados Unidos (USAF, na sigla em inglês) e pela NASA.
Combustível especial
O abastecimento representa outro obstáculo. O SR-71 utiliza o JP-7, combustível especial que deixou de ter uma cadeia regular de fornecimento após a retirada do avião de serviço. O produto foi empregado posteriormente em programas experimentais, como o X-51A, mas uma operação continuada do Blackbird exigiria assegurar sua produção, armazenamento e distribuição. Seria necessário recompor também os recursos de apoio em solo, incluindo equipamentos para a manutenção dos motores e dos demais sistemas da aeronave.
Como o SR-71 exige ser reabastecido em voo, ainda será necessário disponibilizar e preparar um avião-tanque capaz de fornecer JP-7. Isso acrescentaria outra operação de apoio ao projeto.
A retirada do avião da exibição não indica que a NASA pode estar examinando a possibilidade de recuperar a capacidade de voo acima de Mach 3, não que o avião voltará a voar.
