RIO DE JANEIRO – É na Praça Mauá, Centro do Rio de Janeiro, margeado por uma Baía da Guanabara resplandecente e que, por si só, torna a caminhada contemplativa, que foi erguido o Museu do Amanhã.
O equipamento cultural pensado e idealizado para instigar visitantes sobre o futuro, convidando-os a pensar sobre escolhas que podem alinhavar o porvir – já que, somos todos habitantes de um planeta que (ainda) respira e, por isso mesmo, segue no campo das possibilidades de se transformar em um lugar melhor.
Há pelo menos uma década – celebrado no último 17 de dezembro – o espaço, inserido na Zona Portuária do Rio, gerido pelo Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG), atravessa o convencional do que se concebe de um museu, estimulando de forma coletiva um pensar sobre (re)começos, sem se valer de datas pretéritas que, por óbvio, têm sua valia, mas nem sempre provocam olhares que voltem voltados para adiante, tal qual o propósito firmado pelo Museu: ‘Esperançar futuros possíveis’.
E uma das formas de enxergar futuros e que podem ser explorados pelos visitantes do museu carioca – aliás, o mais visitado da América do Sul – é uma mostra de seres que habitam os mares, a partir de experiências interativas que trazem à tona o oceano como ponto de partida de nossa existência.
Trata-se da exposição temporária “Oceano – O Mundo é um Arquipélago”, com curadoria de Fábio Scarano, que também é curador do museu.
Ele divide o ofício, na exposição, com Camila Oliveira e Caetana Lara Resende. Em cartaz até maio, a mostra é celebrativa aos dez anos do espaço, junto a outras ações voltadas à década que soma no período mais de oito milhões de visitantes.
“Tudo é oceano”
“Porque é tudo um oceano só. E já que é tudo um só oceano, os continentes são um arquipélago. São ilhas de um arquipélago.
E o arquipélago é esse lugar que tem ilhas diferentes umas das outras, mas elas têm uma relação de tal forma que você dá a elas um nome. Então, o nome do nosso arquipélago é Terra”, explicou Scarano, em conversa com a Folha de Pernambuco.
Disposta em etapas, a exposição propõe reflexões em torno de eixos: memória, atenção e antecipação, estimulando um elo entre a inteligência humana e a oceânica, a partir da própria definição dada pelo museu, à mostra: de que a vida, em todas as suas formas, é inteligente e que essa inteligência se manifesta também nas profundezas marinhas.
Em ambientes com luz, textura e movimento das águas, “Oceano – O Mundo é um Arquipélago” é formada a partir dos “Sete Princípios da Cultura Oceânica” (Unesco), tomados pela existência de um único oceano global. E o fluir do seu percurso leva a alguns naufrágios.
“(…) O que está naufragando, a nossa proposta com essa exposição, é a modernidade. É um modo de vida baseado numa lógica produtiva. O futuro deixa de ser um tempo. Tem que ter sua casa, seu carro, sua grama, sua conta bancária, e isso se torna a medida do que é um futuro bem-sucedido”, pontua o curador, que não considera o naufrágio como um fim, mas um meio para um novo começo.
Quatro elementos
Em 2026, Fábio Scarano adianta que o fogo, tal qual a água está protagonista na mostra atual, será o próximo elemento a ser trabalhado.
“É um eixo curatorial em torno dos quatro elementos (…). Tem um visível que a Ciência explica, e um invisível que está no nosso inconsciente ou subconsciente, e aí que a gente pode jogar, favorecendo um diálogo entre a Ciência e os mitos”, conta ele.
Crédito: Michele Almeida
Ainda sobre os dez anos do museu, a exposição permanente “Do Cosmos a Nós” foi reinaugurada com um vídeo-instalação assinado pelo diretor Estevão Ciavatta, reforçando um percurso reflexivo sobre ações humanas e suas consequências.
Já “Amanhã 10 Anos”, até novembro, promove um passeio pela década do Museu do Amanhã em narrativas cronológicas que corroboram a importância de um dos espaços mais potentes do País, que se propõe a pensar em um presente – com futuro possíveis.
*A repórter viajou ao Rio de Janeiro a convite do Museu do Amanhã
SERVIÇO
Exposição “Oceano – O Mundo é um Arquipélago”
Onde: Museu do Amanhã – Praça Mauá, 01, Centro, Rio de Janeiro (RJ)
Informações: museudoamanha.org.br

