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Mostra do Filme Marginal no Rio de Janeiro exibe oito produções pernambucanas; saiba quais

Mostra do Filme Marginal no Rio de Janeiro exibe oito produções pernambucanas; saiba quais


De 15 a 24 de outubro, a cidade do Rio de Janeiro recebe a 6ª Mostra do Filme Marginal e o cinema pernambucano estará representado com a exibição de oito produções. Com o tema “Cinema e Emergência Ambiental: Imagens de um Futuro Possível”, essa edição da mostra propõe um olhar sobre as urgências e os desafios ambientais por meio do cinema.

Pernambuco entra com oito produções, incluindo um longa-metragem sobre os impactos de um parque eólico na vida dos moradores de Saloá e Paranatama. Ao todo, serão apresentados 123 filmes nacionais e internacionais, com exibições gratuitas em diferentes pontos da cidade. Entre longas, médias e curtas-metragens, o público terá acesso a produções independentes dos mais variados gêneros e linguagens: ficção, documentário, cinema experimental, ficção científica, animação, realismo fantástico e terror.





Sobre a curadoria

Há produções de todas as regiões do país, com destaque para os estados do Rio de Janeiro, que entra com 20 filmes; São Paulo, com 18; Rio Grande do Norte, com 10; e Pernambuco com oito produções, incluindo um longa produzido em Saloá e Paranatama e sete curtas-metragens.


Os filmes selecionados trazem reflexões sobre a crise climática e seus impactos sociais, culturais e políticos. Temas como aquecimento global, racismo ambiental, direito à terra, moradia, direitos indígenas, feminismo e diversidade sexual compõem a programação, colocando em diálogo diferentes territórios, experiências e formas de imaginar o futuro. Toda a programação é gratuita.


Pernambucanos

Produzido em Saloá e Paranatama, o longa “No Caminho Encontrei o Vento” é uma ficção de 70 min. que atravessa temas como energia renovável, ancestralidade e memória. Longe da família e vivendo solitariamente em um parque eólico, Pedro tem dificuldade de vender o imóvel que herdou do seu desconhecido pai. Ele nega três vezes o destino, mas a herança que recebera não é apenas material.


Circulando com êxito por dezenas de festivais de cinema no Brasil e no exterior, “Os Arcos Dourados de Olinda” é um dos destaques de Pernambuco e da mostra como um todo. A produção foi selecionada para representar o Brasil na corrida por uma vaga no Oscar 2027, na categoria de Melhor Documentário Curta-Metragem. Dirigido por Douglas Henrique, o bem-humorado filme de 24 min. conta o que fez Olinda ficar conhecida como a primeira cidade do mundo a falir um McDonald’s, numa guerra fria tardia entre a primeira prefeita comunista do Brasil e a multinacional estadunidense.


Todos os anos, no dia 13 de dezembro, se celebra o Dia de Santa Luzia, padroeira dos olhos e da visão. Em comunidades pesqueiras como a Vila de Suape, no Cabo de Santo Agostinho, litoral sul pernambucano, a sabedoria popular proíbe que se pesque usando anzóis. Nasce assim, uma tradição centenária: a Festa da Ouriçada, que une a comunidade em rituais sagrados e profanos, tendo como principal protagonista, além da santa, o ouriço-do-mar – este sim, de pesca permitida. A celebração, porém, encontra-se em constante ameaça devido a obras relacionadas ao Porto de Suape. Essa é a sinopse de “Ouriçada”, documentário de 20 min., dirigido por Cezar Maia e Ivan Moraes.


Após perderem a casa onde moravam em um incêndio, mãe e filho buscam reconstruir um lar. Enquanto a mãe está focada em conseguir uma geladeira, o menino tenta resgatar o retrato da avó perdido nas chamas. Com 12 minutos de duraçao, “Retrato Falado” é uma ficção de Mari Passos, do Recife, que aborda temas como periferia, moradia e negritude.


Filmado no Recife, “Reversível” é um curta de terror psicológico negro, dirigido coletivamente por Bruno Churuska, Gledson Augusto, Nicole Mendes, Yan Altino e Zimá Domingos, com orientação de Joel Zito Araújo. Após se mudar para uma apartamento de classe média, um advogado negro frustrado com sua profissão começa a desconfiar que a dependência de empregada está assombrada. Agora ele vai ter que enfrentar fantasmas do passado que insistem em permanecer vivos na sociedade brasileira.



Animal absolutamente atípico no Brasil, os ursos ocupam um lugar no imaginário popular pernambucano, sobretudo nas periferias onde mobilizam diversas comunidades em torno de uma singular tradição carnavalesca. Ali, onde encantam e assustam, de forma irreverente os Ursos desfilam presos por coleiras e focinheiras, sob a escolta de caçadores italianos, mas também de forma livre, anárquica e vibrante, acompanhados por potentes treme-terras.

Documentário de 17 min., dirigido por Maria Acselrad, “Os Ursos e Nós” é um ensaio etnográfico e sensorial sobre essa tradição tão representativa da Região Metropolitana do Recife, mas ainda pouco conhecida na sua diversidade e intensidade. A produçao contou com apoio de um edital da Pró-Reitoria de Extensão da UFPE.


As jovens Aleph e Dandara vivem num tempo onde não existe música nem dança. É proibido se divertir. Elas intuem que uma viagem ao passado para recuperar essas memórias apagadas pode transformar o seu presente. Encontram o grupo afro cultural Lamento Negro de Peixinhos, Olinda, e, juntos, planejam mandar esses arquivos para o futuro. “Dynamite Som, o Futuro é Lamento Negro” é um documentário de 20 min, dirigido por Lia Letícia e Pedro Severien, de Olinda que aborda temas como cultura periférica, memória do povo negro e racismo estrutural.


Na Zona da Mata de Pernambuco, um cortador de cana acorda em sua casa e segue sua rotina diária. Ao tomar café antes de ir ao canavial, percebe que, por mais açúcar que coloque, não consegue atingir a doçura desejada. Imagens reais de queimadas nos canaviais e notícias de um programa de rádio surgem na tela na tentativa de desvendar esse mistério. Produzido em Timbaúba, “Amargo” é uma ficção de 11 min. dirigida por Bruno Araujo sobre emergência climática, racismo ambiental, território, direitos humanos, memória, trabalho, crise ambiental e formas de resistência.


Destaques do ano

A abertura da 6ª Mostra do Filme Marginal será marcada pela estreia no Brasil do longa-metragem “Retorno a Fukushima” (Retour à Fukushima/Return to Fukushima), no Cinema Nosso, na Lapa. Dirigido pelo belga Thomas Licata, o documentário aborda a vida na cidade de Namie, na província de Fukushima, no Japão, mais de dez anos após o desastre nuclear de 2011.


Segundo Uilton Oliveira, idealizador da mostra, nessa edição chama a atenção a quantidade de filmes indígenas, especialmente dirigidos por mulheres, como ‘A Floresta das Mulheres-Peixe’, do Amazonas. Também há nomes fortes na lista de diretores, como o de Leonardo Martinelli, carioca do Andaraí, que apresenta o curta “Samba Infinito”, que teve sua estreia em Cannes, no ano passado. Outro cineasta de destaque na programação é Alberto Sena, de São Gonçalo (RJ), que exibirá “Proteção”. De São Paulo, Thais Scabio e Gilberto Caetano participam com o longa de terror negro “Onde Estamos Seguros”, também exibido em Cannes.


Entre os filmes da programação que vem se destacando no circuito de festivais está “Capim Navalha”, documentário que retrata questões vividas por personagens trans na Chapada dos Veadeiros (DF), com direção do brasiliense Michel Queiroz. Nesse quesito entra também “Quanto Vale uma Década”, sobre os dez anos do rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (MG), dirigido pelo carioca Clementino Junior, fundador do Cineclube Atlântico Negro. “Os Arcos Dourados de Olinda”, do pernambucano Douglas Henrique, é outra produção bastante premiada em festivais no Brasil e no exterior. Muitas sessões incluem bate-papo com os realizadores, conforme a programação apresentada nas redes sociais da mostra, no site e Instagram.


Seis edições de cinema independente

A Mostra do Filme Marginal foi criada em 2017. Em sua primeira edição, 36 filmes foram inscritos e, neste ano, as inscrições chegaram a 356. A seleção dos filmes foi realizada pela curadoria formada por Leila Xavier, Milena Manfredini, Rosa Miranda, Rosy Nascimento e Uilton Oliveira.


“A mostra existe para promover a difusão do audiovisual independente, abrir caminhos, dar visibilidade e fortalecer narrativas que a sociedade muitas vezes tenta invisibilizar. É uma celebração da diversidade e da potência das vozes de nossas periferias”, afirma Uilton Oliveira, idealizador do evento.


“Entendemos o cinema como linguagem crítica capaz de dar visibilidade às populações que vivem na linha de frente dos impactos ambientais”, afirma a curadora Leila Xavier.


A 6ª Mostra do Filme Marginal é uma realização da Corpo Fechado, com apoio do Pró-Carioca Audiovisual 2026, Edital nº 2 – Apoio à Produção de Mostras e Festivais de Audiovisual, no âmbito da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), RioFilme.


Mostra do Filme Marginal

Desde que foi criada em 2017, a Mostra do Filme Marginal é uma iniciativa de difusão, reflexão, estímulo, autoformação e organização do público para um cinema popular, autoral e crítico.

Por meio de parcerias com movimentos sociais e instituições culturais, tornou-se um importante espaço de divulgação de produções que trazem personagens e temáticas sociais, políticas e culturais diversificadas e marginalizadas pelo sistema sociopolítico vigente, com uma leitura crítica fora dos meios comerciais.


SERVIÇO

6ª Mostra do Filme Marginal – “Cinema e Emergência Ambiental: Imagens de um Futuro Possível”

Quando: de 15 a 24 de outubro de 2026

Onde: cidade do Rio de Janeiro (diversos locais, conforme programação)

Entrada franca

Programação completa

Site da Mostra

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Fonte

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