Morreu, aos 78 anos, o escritor e jornalista pernambucano Raimundo Carrero. A informação foi confirmada pela assessoria de comunicação do autor, na manhã desta terça-feira (16), em publicação nas redes sociais.
Segundo o comunicado, o escritor morreu durante a madrugada em decorrência de um câncer. Nascido em 20 de dezembro de 1947 em Salgueiro, Sertão de Pernambuco, Raimundo Carrero é um dos principais nomes da literatura pernambucana e um dos mais premiados do país e deixa um legado incontornável para a literatura e a cultura brasileiras
“Ao longo de sua vida, Raimundo dedicou-se à literatura com paixão, sensibilidade e compromisso, construindo uma obra que marcou gerações de leitores e contribuiu de forma significativa para a cultura pernambucana e brasileira”, diz trecho do comunicado.
“Neste momento de dor, a família agradece as manifestações de carinho, solidariedade e respeito recebidas de amigos, leitores, admiradores e de todos que tiveram suas vidas tocadas por sua trajetória”, completa.
Reconhecido como um dos principais expoentes do Movimento Armorial, Raimundo Carrero construiu uma obra marcada pela profundidade estética, pela valorização das raízes nordestinas e pela experimentação narrativa.
Trajetória
Raimundo Carrero construiu uma trajetória marcada pela dedicação à literatura, ao jornalismo e à promoção da cultura. Iniciou sua carreira como jornalista e atuou por mais de duas décadas no Diário de Pernambuco, onde exerceu funções como crítico literário e editor-chefe.
Paralelamente, desenvolveu uma sólida carreira como escritor, tornando-se um dos principais representantes do Movimento Armorial. Autor de romances, contos e ensaios que exploram o imaginário nordestino e a condição humana, recebeu importantes reconhecimentos ao longo da vida.
A primeira novela, “Grande Mundo em 4 paredes”, foi escrita entre 1968 e 1969 e, segundo ele, era “obra de menino”. Seu primeiro livro, “A história de Bernarda Soledade: a tigre do Sertão”, publicado em 1975, foi escrito quando tinha 28 anos de idade e reeditado pela editora recifense Bagaço, em 2007.
Carrero é também vencedor de diversos prêmios literários como Revelação do Ano, Prêmio Oswald de Andrade, no Rio Grande do Sul, com “Viagem no ventre da baleia”; Prêmio José Condé, concedido pelo governo de Pernambuco, pelo livro “Sombra severa”; e o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, São Paulo, com “As sombrias ruínas da alma”, dentre muitos outros.
Além da produção literária, também ocupou cargos ligados à gestão cultural em Pernambuco, como a presidência da Fundarpe, e integrou a Academia Pernambucana de Letras desde 2005, consolidando seu papel como uma das figuras mais influentes da cultura pernambucana e brasileira.
Luto
Sua morte representa uma grande perda para a cultura nacional, mas sua produção intelectual permanece como referência fundamental para a compreensão da identidade e da riqueza cultural do Nordeste brasileiro.
O velório está programado meio-dia desta terça (16), na Academia Pernambucana de Letras (Av. Rui Barbosa, 1596 – Graças). O enterro será no Cemitério de Santo Amaro, às 17h.
