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Morre aos 45 anos a cantora Débora Cruz, sobrinha de Arlindo Cruz e voz do samba carioca

Morre aos 45 anos a cantora Débora Cruz, sobrinha de Arlindo Cruz e voz do samba carioca


A cantora Débora Cruz morreu nesta terça-feira, aos 45 anos. Filha do compositor Acyr Marques (1953-2019) e sobrinha do cantor e compositor Arlindo Cruz (1958-2025), ela estava afastada dos palcos desde que sofreu um acidente vascular cerebral (AVC). A causa da morte não foi divulgada. A notícia foi anunciada pelo cantor Arlindinho, primo da artista, em uma publicação nas redes sociais.


“Hoje a nossa família se despede da sua voz mais linda. Tive a honra de dividir o palco com você, e esses momentos ficarão guardados para sempre na minha memória”, escreveu o primo. “Obrigado por tudo o que você representou para nós. Sua voz será eterna. Descanse em paz. Nós te amamos”.


Nos comentários, outros familiares também renderam homenagens à cantora. A prima Flora Cruz, irmã de Arlindinho, escreveu que estava “desolada” com a morte. “Inacreditável, meu Deus…”, publicou. Já Babi Cruz, viúva de Arlindo Cruz e mãe de Arlindinho, desejou que Débora fosse recebida “com muita luz”. “Partiu cedo demais”, escreveu.

Conhecida no circuito das rodas de samba do Rio, Débora construiu a carreira a partir de uma tradição familiar ligada ao gênero. Ainda criança, começou a cantar e a tocar teclado em uma igreja evangélica. Mais tarde, migrou para o samba, onde passou a atuar como cantora principal e backing vocal.




Ao longo da trajetória, participou de gravações e apresentações ao lado de artistas como Carlos Dafé, Reinaldo, Xande de Pilares, Beleleu, Wander Pires e o próprio Arlindo Cruz.


No carnaval, integrou inicialmente o carro de som do Arranco de Cascadura e, depois, passou por escolas de samba como Estácio de Sá, Mocidade Independente de Padre Miguel e Unidos do Viradouro.


Um dos momentos mais marcantes de sua carreira ocorreu em 2002, quando interpretou a música Sambista de Fato no Festival Fábrica do Samba, realizado no Maracanãzinho. A composição havia sido escrita especialmente para ela pelo pai, Acyr Marques, autor de sambas como Insensato Destino, Coisa de Pele, Estrela da Paz e Fogueira de uma Paixão.


Nos últimos anos antes do AVC, Débora seguia se apresentando em rodas de samba pelo país. Seu trabalho audiovisual mais recente foi gravado com o grupo Terreiro do Crioulo.


Universo do samba de luto

A morte da cantora provocou manifestações de pesar de artistas e instituições ligadas ao samba. Uma delas foi a Mocidade Independente de Padre Miguel, escola pela qual Débora Cruz passou como integrante do carro de som. Em uma publicação nas redes sociais, a agremiação lamentou a perda da artista.


“Perco uma artista, uma mulher que sempre carregou minha bandeira com muito orgulho. Aos amigos e familiares, desejo toda força do mundo. Estou em luto”, diz a mensagem.

O Renascença Clube, um dos espaços mais tradicionais do samba carioca, também divulgou uma nota de pesar pela morte da artista. No texto, destacou a participação de Débora nas edições da Resenha dos Amigos do Rena neste ano, ao lado de Marcelinho Moreira e do Canto do Batuqueiro.


“Débora dividiu sua voz, seu talento e sua alegria com o público. Sua presença tornou-se parte da história recente da nossa roda de samba, deixando uma marca de carinho, dedicação e respeito à música”, afirmou o clube, que manifestou solidariedade aos familiares, amigos e admiradores da cantora.

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