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Mike Flanagan revela o lado mais doce de Stephen King em drama emocionante no Prime Video

Mike Flanagan revela o lado mais doce de Stephen King em drama emocionante no Prime Video

Cada dia tem uma angústia própria e cada tempo, seus próprios desesperos. Chega uma hora em que ou nos comprometemos com as intenções certas, ou perdemos o bonde da vida, que não passa duas vezes pelo mesmo ponto, ao contrário do trem descarrilado que é a morte, que colhe-nos sem prévio aviso. Exatamente por essa razão é que somos obrigados, frente às verdades acachapantes da existência, a fazer de nossos momentos neste plano uma renovação eterna, um incessante vir a ser, em que nos forçamos(e talvez essa seja a melhor palavra) a encontrar novos meios de agir para cada nova situação que impõe-nos o viver. Tomando-se essa premissa como uma regra de ouro, da qual nunca se pode fugir, sob pena de sofrer consequências ainda mais enérgicas, a própria vida demanda ajustes pontuais quanto a ver a morte como o que ela é: só um desdobrar deste plano terreno. Charles Krantz parece ter feito tudo certo, como se assiste em “A Vida de Chuck”, recebendo o descanso eterno e, antes, homenagens justas e aquela despedida triunfal. A adaptação de Mike Flanagan para o conto homônimo de Stephen King, publicado na antologia de narrativas curtas “Com Sangue” (2020) — onde também está “O Telefone do Sr. Harrigan” (2022), igualmente levado para o cinema por John Lee Hancock —, revela a doçura que o Rei do Terror esconde.

A mansidão de um apocalipse

O diretor-roteirista ocupa o prólogo descrevendo o fenômeno misterioso que arrasa o norte da Califórnia enquanto Marty Anderson dá uma aula sobre “Canção de Mim Mesmo” (1892), um dos últimos poemas de Walt Whitman (1819-1892). Uma aluna lia a notícia no smartphone, e quando o professor tenta saber o que há, a conexão cai. Capciosa, a introdução ludibria os precipitados, e Flanagan, um experto em versões dos livros de King, sai-se galhardamente nesse truque. Marty vai para casa, passa os olhos pela TV enquanto as emissoras não saem do ar, come um pedaço de pizza e recebe uma chamada de Felicia Gordon, a ex-mulher, de quem continua amigo. Numa espécie de transe, ele anda até a cozinha, fita o calendário e começa a fazer contas sobre quanto tempo pode sobrar para a humanidade, que chegou à Terra há pouco mais de uma hora e dominou o fogo não faz nem quinze minutos, tomando por base os quatro bilhões e meio de anos do planeta. O êxtase de Marty orienta as emoções do público, e a imagem de alheamento do professor mantém-se como o fio que conduz a narrativa, tão potente que é repetida no segundo ato, quando Chuck surge, afinal, dançando com uma desconhecida ao som da bateria de uma música de rua. Em atuações equilibradas entre drama e relaxamento, Chiwetel Ejiofor e Karen Gillan ditam o ritmo para Tom Hiddleston e Annalise Basso. E também entramos na dança — e sonhamos junto com eles.



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