Maria Rita lembrou o momento em que descobriu a verdade sobre a causa morte de sua mãe, Elis Regina. A cantora tinha 12 anos e sentia que aquele era, até então, um assunto proibido dentro de sua casa. Elis Regina morreu em 19 de janeiro de 1982, aos 36 anos, quando a filha tinha apenas 4, vítima de uma parada cardíaca. Exames periciais e laudos médicos da época comprovaram que a causa foi uma intoxicação aguda provocada pelo consumo de cocaína associado à ingestão de bebida alcoólica.
Em entrevista ao videocast ‘ Conversa vai, conversa vem’, Maria Rita afirmou que a descoberta a afastou das drogas ao longo da vida. Leia trecho:
O modo como sua mãe, Elis Regina morreu, te afastou dos álcool e das drogas?
Do álcool, não, não vou mentir, mas drogas. 100%. Eu tinha uns 12 ou 13 anos quando descobri a verdade. Antes, me falavam que ela tinha um dodózinho no coração.
Eu tinha o entendimento de que esse era um assunto proibido. Mas um dia, meu pai tinha viajou a trabalhou e chamou minha avó para ficar com a gente. E aproveitei. No fundo de um armário tinha uma mini biografia dela, uma coleção chamada ‘Os Grandes Gaúchos’, acho. Um livrinho que eu ficava lendo. Achava que escondida, mas quando eu ia para a escola, minha avó arrumava o meu quarto e viu embaixo do meu travesseiro.
Ela sabia que estava lendo…
E deixou. No dia que eu li (sobre a causa da morte), era a última frase do livro, tive uma reação violenta.
Minha avó abriu a porta do meu quarto, botou a cabecinha assim para dentro, ficou me olhando. Eu falei: ‘Vó, é verdade?”. Na troca de olhar, entendi que ela sabia que eu estava lendo e deixou. Aí virou uma coisa minha e dela, passou a confidenciar coisas comigo.
Naquele momento, existia uma campanha nacional de contra drogas, diziam que era, tipo tudo péssimo. E me confundiu a cabeça. Tipo: minha mãe era péssima?’. Não entendi muito bem. Depois de alguns anos, fui fazer um estágio numa revista e a diretora era muito amiga da minha mãe e me disse: ‘Opa, peraí, que tem um negócio esquisito aí, você está errada’.
Foram duas coisas que ela limpou na mente: que minha mãe era do mal por conta do uso da droga. Ela falou. ‘Todo mundo usava, estava experimentando, curtindo a onda. O que falam dela dela não é verdade. Sua mãe era careta, não sabia usar, foi uma fatalidade’. A segunda coisa: ‘Sua mãe era completamente apaixonada por você especificamente. Era louca pelos irmãos, claro, mas com você era uma paixão. Tira qualquer dúvida que tenha na cabeça”.
Ela meio que salvou sua vida e sua cabeça…
Nossa, aquilo me salvou muito. E fui entender que tenho uma personalidade intensa e preciso tomar cuidado com essas coisas. Sou careta com orgulho.
