A Marcopolo (POMO4) arrematou 97% do volume total leiloado no Caminho da Escola. O resultado está 50% acima da média histórica e implica um volume potencial de até 7,4 mil ônibus. Para os mercados, a notícia foi positiva, com um risco de alta para as estimativas dos analistas.
Para a XP Investimentos, os resultados do leilão fortalecem a visibilidade dos volumes domésticos em um momento em que as tendências de demanda no mercado local permanecem incertas. Os resultados do leilão ainda precisam ser homologados, o que deve acontecer em cerca de 30 dias.
De acordo com os analistas da casa, ainda que o impacto direto esperado nos lucros pareça contido, o leilão melhora a visibilidade de receitas para os próximos dois anos. Além disso, dá suporte ao planejamento de produção e à utilização de capacidade.
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Conforme cálculos do JP Morgan, o leilão pode representar até R$ 2,1 bilhões em receitas. Nos lotes da VW, a Marcopolo pode capturar cerca de 50% do valor por meio da produção das carrocerias. A estimativa do banco espera que esse montante possa representar até 10% da receita projetada para 2026-2027.
Para o Bradesco BBI, o preço médio superou as estimativas do banco, atingindo R$ 530 mil por ônibus completo, cerca de 15% acima da média do programa anterior. Com essa mudança, os analistas esperam que a Marcopolo retenha aproximadamente 50% do valor referente à carroceria do ônibus ao longo de dois anos – já considerando a prorrogação do programa.
| Recomendação | Preço-alvo | |
| Itaú BBA | Compra | R$ 10,50 |
| XP Investimentos | Compra | R$ 8,50 |
| Bradesco BBI | Compra | R$ 8,50 |
| JP Morgan | Compra | R$ 6,94 |
Caminho da Escola
O leilão estava previsto para acontecer no fim do ano passado, mas acabou atrasado. Segundo o JPMorgan, até então, as vendas de ônibus para o Ministério da Saúde e o restante do programa anterior ajudaram a compensar os atrasos no leilão atual.
Ao longo dos últimos 10 anos, o programa teve execução média de 2,5 mil ônibus por ano. O Caminho da Escola deve durar até o primeiro trimestre de 2027 ou início do segundo trimestre. De acordo com o Itaú BBA, a expectativa da Marcopolo é de que a conclusão ocorra apenas em 2028.
A administração ainda estima que as entregas sejam distribuídas ao longo dos próximos 24 meses. Segundo o BBA, ainda existe a possibilidade da Marcopolo conquistar mais 2 mil unidades adicionais, caso algum concorrente não cumpra exigências de conteúdo local. Conforme os analistas, isso levaria a empresa a quase 100% de market share.
Conforme o Bradesco BBI, os riscos negativos são, de maneira geral, equilibrados. Um dos riscos ainda não totalmente descartados, diz respeito à possíveis mudanças antes da homologação. Pressões de custos com aço e diesel podem começar a se materializar a partir do segundo trimestre de 2026, ainda que já estejam refletidas nos preços atuais.
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Mesmo com o apoio de programas governamentais, o BBI espera um aumento de 6% na produção local da Marcopolo em 2026. Um resultado bem acima da previsão da FABUS de uma estável ou queda de 5% no setor.

