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Mais de 50 anos depois, uma foto histórica volta ao centro de uma acusação explosiva na Netflix

Mais de 50 anos depois, uma foto histórica volta ao centro de uma acusação explosiva na Netflix

Em A guerra é divertida, um dos capítulos finais de “A Primeira Vítima” (1975), o australiano Philip Knightley (1929-2016) defende, norteando-se pelo que escutou de oficiais e recrutas que estiveram presentes no campo de batalha, que confrontos bélicos fariam aqueles homens entediados reviverem sua infância. “O Freelancer: O Homem por trás da Foto” é um novo desdobramento de um capítulo tenebroso da História, embora sob ponto de vista inusitado. Filho de refugiados que deixaram o Vietnã após a guerra contra os Estados Unidos, Bao Nguyen tenta desvendar o mistério por trás da imagem que cristalizou junto à opinião pública o absurdo da ofensiva americana-sul-vietnamita no Vietnã do Norte. E mais atrocidades vêm à tona.

Em carne viva

Em 8 de junho de 1972, uma senhora passa por uma estrada no vilarejo de Trang Bang, no Vietnã do Sul levando o neto, um bebê de colo, sem vida depois de ter sido alvejado por bombas de napalm, uma substância altamente inflamável à base de gasolina gelificada. Pouco depois, Kim Phuc vem correndo, à primeira vista sem ferimentos, apesar do choque. Quando a câmera se desloca, porém, veem-se enormes queimaduras em suas costas, de onde a pele desliza e dá lugar a uma área rubra como o fogo, cujo cheiro de queimado provoca náusea. Bárbaro, repulsivo, o episódio é narrado pelo fotógrafo Nick Ut, que fazia a cobertura pela Associated Press e a quem é atribuído o crédito do que a humanidade passou a chamar de O Horror da Guerra ou A Garota do Napalm. Ninguém poderia imaginar que, transcorrido mais de meio século, Ut tivesse de responder por uma das maiores fraudes do fotojornalismo, mais e mais óbvia à medida que a equipe de Gary Knight viaja pelo Sudeste Asiático buscando os personagens que teriam o condão de reparar um erro que custou a fortuna e a paz de um homem. Repórter fotográfico experiente, Knight arranca do ostracismo Nguyen Thanh Nghẹ, atentando para fatos como a posição que Ut e o colega anônimo ocupavam na cena, levantando a hipótese bastante razoável de que o correspondente da AP não disporia de tempo para deslocar-se do ponto em que se encontrava e clicar Phuc — cujo registro levou a tamanha comoção muito por causa da ausência de roupa. Acerca de Tao Thi Kim, a avó do bebê morto e da própria garota do napalm, pouco se conhece.



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