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Lyra e os Mareantes unem pop e tradição da Jurema Sagrada em “Viúva Negra”

Lyra e os Mareantes unem pop e tradição da Jurema Sagrada em “Viúva Negra”


A música pop encontra a espiritualidade afro-indígena e os ritmos da cultura popular pernambucana em “Viúva Negra”, novo single de Lyra e os Mareantes.


Disponível nas plataformas digitais, a faixa aposta na combinação de sonoridades dançantes, sintetizadores e percussões com referências à Jurema Sagrada.


A novidade marca o primeiro lançamento do grupo após o EP “Veio D’Água”, de julho de 2026.




Idealizada por Lyra, cantora, performer e multiartista, a banda investe em uma identidade musical que aproxima diferentes tradições brasileiras da linguagem pop contemporânea.


Em “Viúva Negra”, essa proposta ganha ares misteriosos antes de desembocar em uma levada marcada por graves intensos e pela influência do swing baiano.


A composição e a produção musical são de Hugo Bessa, que também toca guitarra e sintetizadores. Thiago Duarte participa com beats, percussão e piano. A mixagem ficou a cargo de Buguinha Dub, enquanto Arthur Joly assina a masterização.


Lyra conduz os vocais e imprime à interpretação a atmosfera provocadora que atravessa a canção.


Segundo Bessa, a faixa procura conciliar referências culturais profundas com uma sonoridade acessível às pistas de dança.


“‘Viúva Negra’ é uma música pop com raízes e empoderamento. Ela traz uma estranheza no ar junto com a energia sedutora de um predador silencioso e confiante”, afirma o produtor.


Na letra, a aranha que dá nome à música representa uma figura que exerce seu poder de atração com autonomia e segurança.


A narrativa transforma o jogo da sedução em uma demonstração de domínio, sintetizada nos versos: “Eu sou viúva negra/ Te pego à meia-noite/ Te amarro feito caça”.


A força simbólica da Mestra Luziara

Um dos momentos centrais da faixa surge quando Lyra incorpora um ponto dedicado à Mestra Luziara, figura de grande relevância na Jurema Sagrada em Pernambuco e madrinha religiosa da artista.


A presença desse canto tradicional aproxima a narrativa contemporânea da música das histórias e dos símbolos preservados pela tradição religiosa.


A trajetória de Luziara, atravessada pela violência e por um desfecho trágico, ganhou novos significados em seu culto, associado também à afirmação da força feminina.


O ponto utilizado na gravação aborda o episódio de um vinho envenenado oferecido a um homem casado, tema que estabelece uma conexão com a atmosfera de perigo, sedução e enfrentamento construída no single.


A referência religiosa não aparece, portanto, apenas como elemento sonoro. Ela integra o próprio sentido da composição, conectando a imagem da mulher que conduz o jogo amoroso à memória de uma mestra cuja história permanece viva na tradição da Jurema.



Um projeto musical inspirado nas marés do Recife

Criado em 2026, Lyra e os Mareantes desenvolve uma pesquisa sonora que transita por gêneros como baião, manguebeat, maracatu, ciranda, coco, ijexá, frevo, soul, rock e pop.


A proposta também incorpora ritmos e instrumentos ligados às matrizes culturais afro-brasileiras e indígenas, em uma linguagem que dialoga com a diversidade musical pernambucana.


À frente do projeto está Lyra, de 27 anos, pessoa parda e de gênero fluido, nascida em São Lourenço da Mata, criada em Olinda e radicada no Recife.


A artista começou a cantar ainda criança, na igreja, e posteriormente estudou no Conservatório Pernambucano de Música e no Sesc.


Sua passagem pela banda Quebra-Caritó foi o ponto de encontro com Hugo Bessa e Thiago Duarte, parceiros na criação do atual trabalho.


Além de Lyra, a formação reúne Azuldegesabel e Leordiny nos vocais, Fernando e Dukinha na percussão e Enoque no baixo.


O nome do grupo faz referência ao movimento das marés recifenses, imagem que também inspira a mistura de influências e a dinâmica de sua produção musical.


Depois do EP “Veio D’Água”, lançado em 16 de julho de 2026, o grupo prepara o álbum “Ponto de Mutação”, desenvolvido em parceria com o compositor Geová Barros. A previsão é que o disco chegue ao público antes do Carnaval de 2027.


Para Hugo Bessa, a conexão de Lyra com a cultura popular e os cantos de terreiro é parte essencial da personalidade artística do projeto.


Em “Viúva Negra”, essa herança se combina à liberdade de experimentação do grupo, resultando em uma faixa que procura levar referências ancestrais para o universo da música pop sem abrir mão da energia da pista.

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