Como transformar reuniões improdutivas, sessões de feedback, entrevistas de emprego e manuais de telemarketing em literatura? “Atemoia” conta um pouco sobre isso. O livro de estreia de Keichi Maruyama é o vencedor do 8º Prêmio Cepe Nacional de Literatura (2025), na categoria Conto.
Lançada pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), a obra mergulha no universo corporativo para construir uma ficção que questiona a lógica da produtividade, da performance e do progresso.
A matéria-prima dos contos vem da própria trajetória do autor, paulista de 43 anos, que trabalhou durante 15 anos como executivo e consultor em grandes empresas. O livro custa R$ 60.
Em vez de heróis ou grandes aventuras, os personagens de Maruyama habitam corredores corporativos, elevadores empresariais, bancos e escritórios.
São executivos vaidosos, funcionários invisíveis, profissionais esgotados e pessoas que tentam sobreviver em ambientes onde os resultados costumam valer mais do que qualquer conexão humana.
Sobre o livro
Ao longo de 240 páginas, o autor apresenta onze protagonistas ligados a um edifício comercial de fachada de mármore, localizado às margens de um rio, em uma grande metrópole brasileira.
É por esse espaço que circulam personagens como Dora, ascensorista que trabalha há duas décadas no elevador do prédio; Maria e Roberto, envolvidos em disputas de poder atravessadas pelo etarismo; um executivo hospedado há meses em hotéis de luxo que passa a confundir realidade e alucinação; e Regi, funcionário de banco envolvido em uma fraude milionária.
A escolha pelo ambiente corporativo não é aleatória. Para Keichi, a literatura brasileira contemporânea ainda explora pouco o mundo do trabalho dentro das empresas.
Em um momento em que temas como esgotamento profissional, metas de desempenho e algoritmos que influenciam decisões ocupam cada vez mais espaço no debate público, “Atemoia” encontra nesse território um campo fértil para a ficção.
A crítica ao sistema, no entanto, não surge de maneira panfletária. O autor escreve a partir de alguém que participou dessa engrenagem.
Em vez de produzir um acerto de contas, utiliza a ficção para explorar as contradições, ambiguidades e tensões que atravessam a vida corporativa. “A violência que sustenta o sistema nunca é nomeada de frente e surge, como tudo no livro, não como acusação, mas como o ápice de um conflito que não é mais possível evitar”, afirma.
Sobre o escritor
Nascido em Guarujá (SP), criado em Fortaleza (CE) e atualmente residente em São Paulo (SP), Keichi Maruyama possui MBA pela London Business School e atuou durante 15 anos no mercado financeiro e na consultoria empresarial. Pós-graduado em escrita criativa pelo Instituto Vera Cruz, faz em “Atemoia” sua estreia na literatura.
SERVIÇO
“Atemoia”, de Keichi Maruyama
Preço: R$ 60 (impresso)
248 páginas
